QUALIDADE NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO
Trabalho apresentado à disciplina Gestão Democrática, ministrada pela professora Lucia de Fátima Assis Rocha, no 6º período C, do curso de Pedagogia da FACULDADE DE EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO SOCIAL - FAESA.
Vitória, 2000.
(Texto publicado com autorização das alunas.)
Aos professores e colegas
que enriqueceram o nosso trabalho
contribuindo com suas opiniões,
os nossos sinceros agradecimentos.
O PARADÍGMA DA QUALIDADE TOTAL
Esse modelo é composto por um conjunto de princípios e propõe uma visão holística, integrada e globalizadora.
Ramos, (1994) vislumbrou quatro focos: O primeiro, orientado para as pessoas. Nesse ponto ela menciona a qualidade humana para todos os profissionais que direta ou indiretamente atuam no processo educacional. O segundo foco está voltado para os processos. Diz respeito a qualidade funcional das atividades técnicas, pedagógicas e administrativas de cada setor da escola.
Outro foco vislumbrado pela autora é orientado para as ferramentas. Ela considera importante a Qualidade técnica dos instrumentos e das metodologias empregadas. O quarto foco diz respeito aos grupos. É a Qualidade coletiva das equipes que efetivam o trabalho de forma solidária.
Ramos afirma que a Qualidade total é o ponto de convergência desses quatro focos.
Três aspectos são relevantes quando se trata da cultura da melhoria contínua dos processos: a Qualidade dos Processos, os Processos e as pessoas e a melhoria das Atividades da Escola.
A vinculação direta entre a Qualidade e os Processos desenvolvidos em uma instituição permite verificar que a maioria dos problemas é decorrente da forma de realização das atividades. Portanto, deve ser dado ênfase a percepção de como o trabalho é realizado. Apontar culpados não deve ser a preocupação, mas esta deve voltar-se para buscar as causas.
Ramos cita Scholter, que enfatiza a necessidade de aperfeiçoar a rotina de trabalho. É óbvio que o resultado final depende diretamente de como as atividades acorreram no dia-a-dia. Para Scholter, deve-se partir do sistema atual e aperfeiçoá-lo, planejando cuidadosamente e implementando a inovação.
O segundo aspecto relevante é a relação entre o Processo e as pessoas. Pode-se afirmar, que o sucesso depende exclusivamente dos indivíduos envolvidos. Portanto, é essencial desenvolver o conhecimento e a competência das pessoas, bem como o seu comprometimento em termos de vontade e determinação. Trata-se de oportunizar a pessoa a utilizar plenamente suas capacidades.
Nesse envolvimento com as pessoas, existem algumas vantagens colhidas, quando se possibilita que cada indivíduo se sinta responsável pelo processo que executa. O estímulo ao trabalho em grupo também é vantajoso, devido a união das competências e forças para melhoria do serviço. Além da construção de alianças entre os profissionais de um mesmo setor ou de diferentes departamentos.
O terceiro aspecto – A melhoria Contínua das Atividades da Escola – enfatiza o movimento permanente de repensar e revisar o trabalho.
A construção da melhoria das atividades é permanente em busca de novos patamares. Os critérios padrões (indicadores) definidos para "O Prêmio Nacional de Qualidade" (Brasil), permitem avaliar a escola, e a partir dessa avaliação, transformá-la em uma Escola de Qualidade Total.
| 1. LIDERANÇA | |
| 1.1. Liderança de alta direção | |
| 1.2. Valores da empresa quanto à Qualidade | |
| 1.3. Gestão para a Qualidade | |
| 1.4. Responsabilidade comunitária | |
| 2. INFORMAÇÕES E ANÁLISE | |
| 2.1. Abrangência e gestão de dados e das informações sobre Qualidade | |
| 2.2. Comparações com a concorrência e referenciais de excelência | |
| 2.3. Análise de dados e informações sobre Qualidade | |
| 3. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PARA A QUALIDADE | |
| 3.1. Processo de planejamento estratégico para a Qualidade | |
| 3.2. Metas e planos para a Qualidade | |
| 4. UTILIZAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS | |
| 4.1. Gestão de recursos humanos | |
| 4.2. Envolvimento dos funcionários | |
| 4.3. Educação e treinamento em Qualidade | |
| 4.4. Reconhecimento e medição do desempenho dos funcionários | |
| 4.5. Bem –Estar e moral dos funcionários | |
| 5. GARANTIA DE QUALIDADE DOS PRODUTOS E SERVIÇOS | |
| 5.1. Projeto e introdução no mercado de produtos e serviços | |
| 5.2. Controle da Qualidade de processos | |
| 5.3. Melhoria contínua de processos | |
| 5.4. Avaliação da Qualidade | |
| 5.5. Documentação | |
| 5.6. Qualidade do processo, do negócio e dos serviços de apoio | |
| 5.7. Qualidade dos fornecedores | |
| 6. RESULTADOS OBTIDOS QUANTO À QUALIDADE | |
| 6.1. Resultados obtidos quanto à Qualidade de produtos e serviços | |
| 6.2. Resultados obtidos quanto à Qualidade no processo do negócio, operações e serviços de apoio | |
| 6.3. Resultados obtidos quanto à Qualidade de fornecedores | |
| 7. SATISFAÇÃO DO CLIENTE | |
| 7.1. Determinação dos requesitos e das expectativas do cliente | |
| 7.2. Gestão do relacionamento com os clientes | |
| 7.3. Padrões de serviços aos clientes | |
| 7.4. Compromisso com os clientes | |
| 7.5. Solução de reclamações objetivando a melhoria da Qualidade | |
| 7.6. Determinação da satisfação do cliente | |
| 7.7. Resultados relativos à satisfação dos clientes | |
| 7.8. Comparação da satisfação dos clientes | |
Bello (2000), faz severas críticas a avaliação proposta pelo MEC. Para ele, esse é mais um equívoco da política educacional, quando analisa que a avaliação está interessada em avaliar os procedimentos e não o resultado final. Ele faz uma série de questionamentos:
QUALIDADE DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO
A discussão acerca da qualidade do ensino superior no Brasil iniciou-se em meados da década de 1980. As propostas de avaliação, partiram inicialmente dos pesquisadores e não das instituições de ensino.
Todavia, foram determinadas algumas iniciativas que visavam a implementação de avaliação para todo o sistema de ensino superior.
Durante algum tempo, o grau de titulação dos docentes foi o parâmetro mais marcante para a avaliação das instituições. Entretanto, no inicio dos anos 90, algumas instituições privadas deram início à questão, incluindo em seus projetos educacionais o tema melhoria da qualidade.
Ocorreram vários eventos a fim de discutir essa problemática. Um exemplo foi o 1º Congresso Brasileiro de Qualidade do Ensino Superior, em 1993. Com a regulamentação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação – Lei 9394/96, esse ciclo de eventos encerrou suas atividades.
Os temas discutidos tendiam a tratar a qualidade dos serviços prestados pelas instituições tendo em vista a relação empresa/cliente. Melhorar a qualidade significava, portanto, buscar estratégias que garantissem a satisfação do cliente-aluno.
Atualmente, estamos diante de uma realidade onde a competitividade é marcante e por isso aumentou o grau de exigência. Entre os cuidados necessários, está o preparo adequado do individuo para competir em condições de igualdade na sociedade capitalista.
Hoje existem critérios objetivos para avaliar até que ponto as organizações estão preparadas para enfrentar os desafios do mundo globalizado.
Os critérios de excelência PNQ – Premio Nacional de Qualidade – proporcionaram a avaliação global de uma instituição, além de permitir o alcance do desempenho e conseqüentemente a melhoria da competitividade, além da ampla troca de informações sobre métodos e técnicas de gestão que alcançaram êxito, uma vez que os critérios são utilizados em âmbito nacional e mundial.
Por isso, consideramos que diante do estabelecimento de parâmetros, as instituições são norteadas por critérios comuns, o que facilita o alcance de suas metas.
A criação dos critérios de excelência PNQ se deu através da troca de experiências entre as organizações dos setores públicos e privados. Os referenciais de excelência tem seu equivalente americano na forma da Lei Malcolm Baldridge de Melhoria da Qualidade Nacional de 1987.
Um termo bastante utilizado nesse contexto é BENCHMARKING – que equivale a um procedimento pelo qual se procura aprender a partir de exemplos externos bem sucedidos. Portanto, o benchmarking possibilita que a instituição tenha um referencial com o melhor. É óbvio que a instituição de ensino tem suas especificidades e, portanto, precisa adaptar soluções encontradas em outras instituições de acordo com a sua realidade. Isso significa, que nem sempre o que dá certo em uma instituição dará certo em outra.
Tachizawa e Andrade ([19??]) citam que desde a criação da FPNQ – Fundação Premio Nacional de Qualidade – seus critérios de excelência formam uma base consistente para o fortalecimento da competitividade das organizações, porque auxiliam a melhoria das práticas de gestão, do desempenho e da capacidade das organizações.
Eles citam ainda, que esses critérios facilitam a comunicação e o compartilhamento das melhores práticas em todos os tipos de organizações e que servem como modelo de referencia para melhorar o entendimento e aplicação das práticas de gestão.
Os critérios foram construídos a partir de valores e conceitos e foram estruturados de forma a auxiliar as organizações a aumentarem sua competitividade através de duas metas:
· Proporcionar aos clientes um valor crescente que resulte em sucesso na participação no mercado;
· Aprimorar a capacitação e o desempenho da organização como um todo.
Para o alcance dessas metas, alguns pressupostos devem ser observados. O primeiro deles diz respeito a qualidade centrada no cliente. Aqui se encontra uma estratégia para preservar a clientela.
Outro pressuposto a ser considerado é a liderança. A alta direção precisa estar comprometida com o desenvolvimento de todos os funcionários, estimulando a participação e a criatividade.
Deve-se ainda atentar para a melhoria contínua. Esse Campo refere-se à inovação. Essa melhoria inclui sugestões de todos os funcionários, pesquisa, comparações de desempenho, entre outros fatores.
A continuidade de propósitos e percepção de longo prazo deve ser outra preocupação. É preciso ter forte orientação para o futuro, e assumir compromissos de longo prazo com todas as partes interessadas.
Quanto a gestão com orientação para resultados, é necessário perceber que a gestão de uma IES depende de medição, informação e análise. Esse conjunto forma a base do planejamento.
O desenvolvimento de parcerias implicam na cooperação entre a direção, professores e demais funcionários. É uma estratégia de desenvolvimento dos recursos humanos. As parcerias externas envolvem os fornecedores e outras instituições no relacionamento, que podem ocorrer em forma de convênio.
Finalmente, a participação e desenvolvimento dos recursos humanos, que diz respeito na necessidade das IESs investirem no desenvolvimento dos seus funcionários, através de educação, treinamento e oportunidades. Nesse ponto, encontram-se o rodízio de funções e a remuneração baseada nas habilidades e criatividade.
DIRETO DA FONTE - FALAM PROFESSORES E ALUNOS DA FAESA
Alguns professores e estudantes da FAESA – Faculdade de Educação e Comunicação Social contribuíram fornecendo opiniões a respeito da qualidade nas instituições de ensino.
Propositalmente, essas opiniões surgiram em conversa informal e em momento de descontração.
O professor Adalvo Paixão citou três critérios nos quais se baseia para definir a qualidade. Ele avalia a instituição enquanto promotora de ensino, pesquisa e extensão. Nesse aspecto cita a importância do professor estar respaldado para tal, tendo em sua carga horária além das horas-aula, o tempo reservado para a pesquisa e extensão.
Adalvo enfocou a necessidade de envolvimento da comunidade acadêmica com a comunidade externa Esta só tem acesso após o concurso de vestibular, quando passa a integrar o corpo discente. Mas reflete que a postura das instituições tem amadurecido nesse sentido. E citou que existem algumas que já estão buscando essa integração.
Ainda, segundo Adalvo, devem ser observados os projetos culturais desenvolvidos, como os eventos, palestras, teatros e outras. Ele ressalta a importância da arte. O professor tem que ensinar com arte.
Quando Adalvo cita que a instituição deve estar devolvendo para a comunidade externa o apoio recebido e envolvê-la no processo, percebe-se semelhança ao pensamento de Bello, que cita existirem casos isolados de atuação junto à comunidade. Bello sugere:
PESQUISA COMPLEMENTAR
Uma pesquisa realizada pelo professor Zinder (1998), no estado de São Paulo, retrata o pensamento dos alunos sobre a escola que fazemos no dia-a-dia. Foram entrevistados 3026 estudantes de escolas particulares, com idade média entre 16 e 17 anos. A pesquisa revela, nas proporções mencionadas.
| É preciso estudar, pois a escola prepara para a vida | 90% |
| O que é ensinado deveria ser exemplificado com coisas do dia-a-dia | 79% |
| Seria bom ter atividades diferentes, como teatro, dança, etc. | 79% |
| É mais fácil prestar atenção quando o professor brinca com a classe | 74% |
| A escola me prepara para discutir vários assuntos | 68% |
| Há várias matérias que não servem para nada | 68% |
| Seria melhor se pudessem opinar na maneira que as aulas são dadas | 67% |
| Seria melhor se os estudantes pudessem pensar mais a respeito das coisas, e não que viessem prontas | 50% |
CONCLUSÃO
A pesquisa proporcionou compreender o quanto é grande o desejo de mudanças na escola. Todos os envolvidos no processo educativo percebem a necessidade de transformar a forma como se processa a prática pedagógica, a fim de garantir a Qualidade nas instituições.
Entretanto, é visível que a caminhada é longa, e que é preciso saber contornar os obstáculos. É preciso que o grupo de educadores conscientes da importância da educação para a libertação do indivíduo se empenhe a desenvolver em sua sala de aula um trabalho que vise ampliar essa conscientização para seus educandos, e mais que isso, que este não fique só no campo da conscientização, mas que atinja o campo da prática.
De nada adianta a consciência sem ação. Podemos ter consciência de que todos temos o direito a uma educação de qualidade, podemos ter consciência de que é preciso oferecer uma educação que propicie o indivíduo a transformar a sua realidade, podemos ter consciência de que só uma educação transformadora forma o cidadão crítico e consciente.
Todavia, só ter consciência não transforma o indivíduo nem a sociedade. Ter consciência de estar doente não cura ninguém.
"Visão sem ação
não passa de um sonho.
Ação sem visão é só um passatempo.
Visão com ação
pode mudar o mundo"
Joel Artur Barter
AQUINO, Libia Serpa. Escola deve reconstruir e não reproduzir. In: Educação em Revista. n. 13 - [online]. 1998. Disponível em: http//:www.klickeducação.com.br
BELLO, José Luiz de Paiva. Avaliação da Universidade: mais um equívoco da política educacional do MEC . Pedagogia em Foco. Disponível em: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/filos07.htm
DELGADO, Omar Carrasco. Construção da cidadania por meio do discurso escolar. Vitória: Ita, 1997.
RAMOS, Cosete. Pedagogia da qualidade total. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1994.
TACHIZAWA, Takeshy, ANDRADE, Rui Otávio Bernardes. Princípios de qualidade aplicáveis a uma instituição de ensino. Cap.13. In: Gestão das Instituições de Ensino. São Paulo, Fundação Getúlio Vargas. [19??].
Para referência desta página:
MONTEIRO, Denise Schulthais dos Anjos, SARMENTO, Marilza Rodrigues, AQUINO, Tânia Maura de. Qualidade nas instituições de ensino. In.: BELLO, José Luiz de Paiva. Pedagogia em Foco, Rio de Janeiro, 2001.
Disponível em: <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/filos10.htm>. Acesso em: dia mes ano.