FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO


 



Investir em capital humano


Marilza Vanessa Rosa Suanno*
Goiania, 2002.

 


      O mercado de trabalho almeja por profissionais com melhor qualificação e que saibam utilizar os aparatos tecnológicos. Assim, investir na educação é investir na qualificação, formação, desenvolvimento profissional, produtividade do trabalhador e, dessa forma, promover o crescimento econômico. O crescimento econômico de um país está estreitamente vinculado com a oferta e a demanda de capital humano, uma vez que o crescimento econômico está enlaçado com a democratização do poder de compra e qualidade de vida da população. Nessa lógica tem espaço para todos?
      Cada vez mais percebe-se a implementação de programas, projetos e cursos: aumento do número de programas de alfabetização, programas de aceleração para o ensino fundamental e médio, aumento do número de vagas em faculdades privadas... como anda a qualidade desses programas? Eles têm promovido a reflexão e a construção de conhecimentos? Têm dado conta de fazer compreender a globalização e a internacionalização dos mercados? A diminuição do peso da política tendo em vista a noção de Estado Mínimo? As mudanças nos paradigmas do conhecimento? A difusão maciça das informações e a manipulação ideológica? O agravamento da exclusão social? A crise de valores e o relativismo ético?
      Será que esses programas e cursos têm dado conta de articular a vida da escola com o mundo social, informacional, comunicacional e econômico, tornando a escola um espaço de síntese, de reflexão, de construção de conhecimentos? Valorizo os programas em seus alcances e alerto para refletirmos sobre suas limitações.
      A educação é uma área de investimento que pode propiciar benefício epistemológico sócio político econômico jurídico ético que venham a assegurar uma distribuição de renda mais igualitária, crescimento econômico, desenvolvimento social, desenvolvimento humano e trabalho melhor qualificado.
      Educar para promover alcances econômicos é interesse do Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, empresas transnacionais, Unesco. A formação de recursos humanos é de interesse da política internacional por impulsionar e viabilizar a expansão econômica.
      A educação é fundamental ao desenvolvimento, todavia a educação isolada de outros interventores não é capaz de assegurar um crescimento com eqüidade. Por onde anda a qualidade democrática numa perspectiva emancipatória?
      Educação e suas atuais palavras de ordem na conjuntura atual: descentralização, participação, ação coletiva, responsabilidade compartilhada, qualidade, competitividade, reforma curricular, eficiência, eficácia, produtividade, transversalidade, interdisciplinaridade, novas tecnologias de informação e comunicação.
      Estaria a universidade dando conta de sua missão? De seu papel social frente à democratização e socialização do conhecimento? Propiciando a aprendizagem social? Promovendo processos democráticos e formação integral do cidadão? A quem interessaria um cidadão reflexivo, crítico, consciente, politizado, leitor, integrado, questionador e transformador? Na realidade existe um interesse de mercado em se ter um trabalhador mais qualificado e capaz de gerar maior qualidade de produção e serviço, assegurando a eficácia. Porém, não existe um empenho real de desenvolvimento da eqüidade social via comprovação dos direitos humanos, mobilização participativa e comunitária de transformação. Entretanto, a eqüidade social é vislumbrada via desenvolvimento científico-tecnológico a serviço das dinâmicas e necessidades neoliberais.
      Para Vera Maria Candau, a educação não pode ser reduzida à formação de consumidores competentes. Ela supõe a formação de sujeitos históricos, ativos, críticos e criativos, capazes não apenas de se adaptar à sociedade em que vivem, mas de transformá-la e de reinventá-la.
      No panorama mundial temos visto surgir parcelas sociais organizadas em prol de idéias e ideais, as Organização Não-Governamentais. Algumas têm debatido os efeitos maléficos da globalização e vêm lutando por uma sociedade mais pacífica, justa e igualitária. Quem tem compartilhado destas idéias? E desta luta?

 



 


Marilza Vanessa Rosa Suanno
é pedagoga, especialista em Planejamento Escolar,
mestranda em Ciências da Educação Superior/Universidade de Havana/Cuba,
professora da UEG e da UCG, da Fundação Francisco Mascarenhas
e do Curso de Formação de Oficiais da Academia de Polícia Militar de Goiás
E-Mail: suanno@brturbo.com




Para referência desta página:
SUANNO, Marilza Vanessa Rosa. Investir em capital humano. In.: BELLO, José Luiz de Paiva. Pedagogia em Foco, Goiania, 2002. Disponível em: <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/filos21.htm>. Acesso em: dia mes ano.


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