FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO


 



Quem me dera...


Taiana Vaz
Rio de Janeiro, 2008

 


     Quem me dera que as armas fossem giz e que as balas traçadas fossem o tracejo do próprio giz sobre o quadro negro, não qualquer tracejo impensado, mas sim vestígios de palavras ou símbolos que expressassem dias melhores.
     Quem me dera que nenhum professor, depois de um dia de trabalho, assista o noticiário e não se depare com um assassino ou traficante que passou por suas mãos em sala de aula e que não conseguiu fazer nada para ajudá-lo.
     Quem me dera que quando alguém acordasse de madrugada angustiado com um pesadelo ou com seus problemas, pudesse sair pelas ruas a fim de espairecer as idéias sem menor risco.
     Quem me dera uma pessoa esquecer sua bolsa em qualquer lugar e não ficar desesperada com o ocorrido, pois saberá que todos são honestos e no dia seguinte estará com seus objetos intactos.
     Quem me dera que as pessoas trocassem as palavras de ofensa por expressões pouco usadas, mas de enorme significado como: por favor, com licença, obrigado... e que um gesto simples fosse lembrado e comemorado por toda vida.
     Quem me dera que todos os tipos de preconceitos fossem extintos e só ficassem registrados nos livros de História, marcados como uma página manchada de uma época triste, mas superada por toda população.
     Quem me dera que um pedreiro e um advogado fossem vistos de acordo com o papel que cada um exerce para a sociedade, onde possuem funções diferentes, nem mais nem menos do que o outro e sim iguais na escala do valor humano.
     Quem me dera que o ser humano fosse consciente e preocupado com as conseqüências que seus atos provocam ao meio ambiente, assim não chegaríamos aos extremos; as enchentes seriam somadas às secas e divididas por dois, já as áreas calculadas do desmatamento seriam triplicadas por plantações de pequenas mudas.
     Quem me dera que o desconhecido fosse razão para despertar a vontade de mergulhar em mares nunca navegados na busca de verdadeiros conhecimentos.
     Quem me dera que todos tivessem acesso à uma educação de qualidade; ou seja, uma educação que honre o peso dessa palavra com dignidade, cidadania, ética, ao invés da opressão, segregação e da formação de indivíduos robôs, personagens ou marionetes.
     Quem me dera que a vida fosse encarada no aqui e no agora, onde não tivesse a idéia de que a escola prepara para a vida, pois a vida começa muito antes disso.
     Quem me dera que essas palavras aqui expressadas pudessem ajudar de alguma forma para a transformação de uma pessoa, digo uma pessoa porque se quisermos transformar o mundo temos que começar pelo mais simples; por uma folha de uma árvore localizada em uma grande floresta.