HISTÓRIA DO RIO DE JANEIRO


 



A EVOLUÇÃO HISTÓRICA
DOS BAIRROS DO FLAMENGO E BOTAFOGO
DA CIDADE DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO


 


Francisco Fidalgo Romero
José Luiz Bello
Luiz Marcelo Alves Velozo
Marcelo Sena Gomes

 


 

Trabalho acadêmico realizado como pré-requisito para avaliação do rendimento escolar, na disciplina História do Rio de Janeiro, do curso de História, do Instituto de Ciências Humanas, Letras e Artes, da Universidade Veiga de Almeida, ministrada pela professora Vera Lucia Moraes.


 


 


UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA - UVA
RIO DE JANEIRO - 2004
 


BAIRROS DO FLAMENGO E BOTAFOGO


     As origens do bairro do Flamengo remontam ao período da descoberta da Baía de Guanabara. Já em fins de 1503 ou início de 1504, o navegador Gonçalo Coelho abastecia de água a sua expedição na foz do rio Carioca, que desaguava na atual Praia do Flamengo.
     Quando os portugueses por aqui chegaram já habitavam o lugar os índios Tamoios, do grupo Tupinambá. Eles ocupavam praticamente toda a orla da baía de Guanabara. Em função disso muitos dos nomes adotados para a região derivam da língua dos índios. O nome Guanabara, por exemplo, queria dizer rio de curvas ou seio de mar (LESSA, 2001, p. 57). A bem da verdade histórica esses índios, que ocupavam a região, foram expulsos, aculturados ou dizimados do local.
     Embora os portugueses chamassem o lugar como Aguada dos Marinheiros, os Tamoios influenciaram na mudança do nome para rio Carioca em função de uma feitoria construída no local. Carioca, na língua dos Tamoios, quer dizer casa de branco (cari - branco; oca - casa) (LESSA, 2001, p. 57). Mais tarde o lugar também chegou a ser chamado de Sapocaitoba, que no linguajar dos índios significa "lugar onde se brada", e que era por eles usados pelos portugueses para chamar de longe a fortaleza de São João, na Urca.


     Martins Afonso de Souza vem ao Rio de Janeiro, em 1530, e desembarca na foz do rio Carioca, região conhecida pelos índios como Uruçu-Mirim (abelha pequena na língua dos Tamoios), atual região de Botafogo, Flamengo e Glória. Uruçu-Mirim era o nome que os índios davam a uma pequena abelha. Para os portugueses a região ficou conhecida como Aguada dos Marinheiros e ficava nas imediações onde hoje está a Rua Barão do Flamengo.
     Em 1531, Pero Lopes de Souza, que fazia parte da expedição de Martins Afonso de Souza, constrói a primeira casa de pedra da cidade, na foz do rio Carioca, que foi a primeira edificação do gênero existente nas três Américas. Esta casa serviu de moradia ao primeiro juiz da cidade, Pedro Martins Namorado, nomeado em 1565 por Estácio de Sá. A casa foi destruída por uma ressaca, sendo reconstruída no Século XVII para servir de moradia para o sapateiro Sebastião Gonçalves que ali residiu de 1606 a 1620. Por isso, na época, a Praia do Flamengo foi denominada de Praia do Sapateiro. A casa de pedra existiu por um período de duzentos anos desaparecendo por volta dos anos Setecentos.
     Em 1555 os franceses ocupam a cidade, comandados por Nicolau Durand de Villegaignon, e fundam a França Antártica, na ilha de Serigipe e depois denominada, por Coligny, de ilha de Villegaignon. Na época a ilha permitia o controle visual da entrada da baía e da praia do Flamengo. Em 1557 chegam mais franceses comandados por Bois le Conte, este sobrinho de Villegaignon.
     Em 1560 os portugueses, comandados por Mem de Sá, expulsam os franceses. No entanto, no mesmo ano, os franceses voltam a ocupar a região de Uruçu-Mirim e a ilha de Paranapuam, atual Ilha do Governador, e constroem duas fortificações. A ilha de Paranapuam foi denominada pelos europeus de ilha do Gato ou Maracajá, já que lá habitavam os Temiminós os Maracajás (gatos selvagens) (CRULS, 1952, p. 51).
     Na vigência da ocupação francesa, em 1565, Estácio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, em 1º de março, funda a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, na praia localizada entre o Pão de Açúcar e o morro Cara de Cão, onde hoje se localiza o bairro da Urca (CAVALCANTI, 2004, p. 22; CRULS, 1952, p. 51). Este local foi escolhido, já que os Tamoios tinham tabas por todas as praias da Baía de Guanabara (CRULS, 1952, p. 52). O local atualmente é ocupado pela fortaleza de São João, construída em 1618. No local o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, durante a realização do I Congresso de História Nacional, finca um marco de granito com os dizeres:
     Neste local, em 1565, foram lançados os primeiros fundamentos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Marco comemorativo que mandou erigir o 1º Congresso de História Nacional reunido por iniciativa do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. 7 de setembro de 1914 (CRULS, 1952, p. 59).
     Em 1567, no dia 20 de janeiro, Estácio de Sá expulsa os franceses, sendo ferido, no sopé do morro onde hoje está o Outeiro da Glória, vindo a falecer poucos dias depois (CRULS, 1952, p. 55). Do lado português estava presente também o jesuíta José de Anchieta, que enfrentou o inimigo empunhando sua cruz (CAVALCANTI, 2004, p. 55). A cidade, então, transfere-se para a região de Uruçu-Mirim e, logo depois, para a região do morro de São Januário, depois conhecido como morro do Castelo.
     Provavelmente o caminho mais antigo da cidade é o que ligava a Vila Velha (local de fundação da cidade) e o morro do Castelo (CRULS, 1952, p. 103). A busca de água potável leva o surgimento do Caminho da Ajuda, ligando o Centro à foz do rio Carioca, passando onde hoje está a Cinelândia, contornando a lagoa do Boqueirão (onde hoje se localiza o Passeio Público) e passando pela Glória. Surge também o caminho pelo Catete para o Largo das Pitangueiras, depois conhecido por Largo do Machado em função de um grande machado de madeira que servia de outdoor de um açougueiro do local (LESSA, 2001, p. 57). O caminho pelo Catete surge para que se pudesse chegar à montante do rio Carioca em busca de água mais limpa. Este caminho permite a ocupação da região onde hoje se localiza os bairros de Laranjeiras e Cosme Velho. O nome Catete vem da língua dos Tamoios caa ete, que quer dizer mata cerrada (LESSA, 2001, p. 57).
     No século XVII a cidade começa a desenvolver uma área rural aumentando a região ocupada. Com isso começam a surgir caminhos para esta região. Desta forma surgiram os bairros do Flamengo e Botafogo. Apesar de já começarem a ser povoados, eram passagens para os fortes do litoral sul ou para a freguesia de Sacopenapã (atual lagoa Rodrigo de Freitas) onde, desde o século XVI, existia o Engenho Real da Lagoa (LESSA, 2001, p. 56). O caminho pelo litoral era penoso, já que entre o Centro, onde se levantou a cidade, e os bairros do Flamengo e Botafogo existia a lagoa do Boqueirão, onde hoje se localiza o Passeio Público (CRULS, 1952, p. 74). O Governador da província, Antônio Salema (1575-1577), em 1576, tentou instalar um engenho real, movido à água, na lagoa de Sacopiraña (atual região do Largo do Machado). Embora este engenho jamais tenha funcionado o Governador mandou construir uma ponte, conhecida como a ponte do Salema, onde hoje é a praça José de Alencar, ligando o bairro do Catete com a praia do Sapateiro, atual praia do Flamengo (LESSA, 2001, p. 36). Esta ponte atravessava o rio Carioca que por ali passava em direção ao Flamengo. Por muito tempo era necessário pagar pedágio para se passar pelo local (CRULS, 1952, p. 107).
     Nesta época morava na praia do Sapateiro um holandês, prisioneiro da cidade, dando origem ao nome do bairro, do Flamengo (LESSA, 2001, p. 57; CRULS, 1952, p. 105). Há outras versões para o atual nome Flamengo: a primeira remonta à época das invasões holandesas. Consta que prisioneiros holandeses de Pernambuco eram transferidos para esta praia. Os holandeses também eram conhecidos por flamengos e, a partir daí, os habitantes desta região acostumaram-se a indicar o local como praia do Flamengo. A outra versão baseia-se no fato de que eram vistos na praia bandos de pássaros vermelhos, pernaltas, de bico forte, conhecidos por flamingo ou flamengo.
     O nome da enseada e do bairro de Botafogo vem de um ilustre morador chamado João de Souza Pereira Botafogo (CRULS, 1952, p. 278), descendente da bailarina Ana Botafogo (BOTAFOGO; BRAGA, 1993, p. 9). Antes de ter esse nome o local era conhecido como Francisco Velho, um companheiro de Estácio de Sá (CRULS, 1952, p. 278).
     Da ponte do Salema surge o Caminho Velho de Botafogo, a atual rua Senador Vergueiro, já que lá morou o Senador Nicolau Vergueiro. O caminho seria complementado pela atual São Clemente para se chegar a freguesia de Sacopenapã (atual Lagoa Rodrigo de Freitas e arredores).
     Em função do escoamento do minério, de Minas Gerais, mais precisamente da região de Ouro Preto, do tráfego de escravos, para a própria cidade e para o interior, do escoamento do café das lavouras do entorno da cidade e das conseqüências mercantis destas atividades, a cidade tem acelerado o seu crescimento.
     Do início do século XVIII ao ano de 1749 o Rio de Janeiro dobrou sua população de 12 mil habitantes para 24 mil (LESSA, 2001, p. 71). As condições de habitação da cidade tradicional não são satisfatórias em termos de higiene e segurança. Mesmo que até o final do século VXIII a cidade fosse limitada pelo Campo de Santana, pelo pantanal de Pero Dias (as atuais ruas do Lavradio, Inválidos e Gomes Freire) e, pelo lado sul, pelo Outeiro da Glória, a cidade começa a crescer também em direção ao que hoje representa a zona sul. Os bairros de Flamengo e Botafogo são alguns dos preferidos das classes mais abastadas, já que poderiam se locomover até lá por conta própria. O primeiro serviço de transporte em carruagem só surge no século XIX, em 1816. Aos pobres restava morar no Centro da cidade, próximo dos locais de trabalho.
     Os ricos, inicialmente, valorizam Santa Tereza, Morro da Viúva, Morro dos Ingleses (encostas de Botafogo), altos de São Cristóvão, matas da Tijuca e Grajaú. Depois caminharam pela orla marítima, agora, a Barra da Tijuca. O Centro foi desvalorizado como residência; depois os seus bairros circundantes (LESSA, 2001, p. 84).
     Os bairros de Flamengo e Botafogo, apesar de já serem habitados, continuam primordialmente a servir como zona rural, como passagem para as zonas rurais mais distantes do centro e para o rio Carioca, que era o principal fornecedor de água para a cidade. Em 1750 é concluído o Aqueduto da Carioca, o atual Arcos da Lapa, na gestão de Gomes Freire de Andrade, o conde de Bobadela. O Aqueduto da Carioca levava a água até o campo de Santo Antônio, atual Largo da Carioca. Com isso os caminhos para o Flamengo tornaram-se menos utilizados, já que os escravos pegavam a água diretamente do primeiro chafariz da cidade, construído em 1723 naquele local (CRULS, 1952, p. 146).
     Em 1722 a arrecadação da cidade do Rio de Janeiro ultrapassa a de Salvador. Este deslocamento da economia da Corte gera a transferência da capital da Colônia para a cidade do Rio de Janeiro, em 1763.
     Por sua localização estratégica em relação à região das Minas Gerais, o desenvolvimento das lavoras de café, os portos que recebiam e reembarcavam os escravos vindos da África, além dos imigrantes que chegavam à Colônia, a cidade do Rio de Janeiro teve sua economia significativamente desenvolvida. Até meados do século XIX será a principal economia do Brasil, vindo a perder para São Paulo em função da migração das plantações cafeeiras.
     Durante a vigência do mandato de D. Luís de Almeida Portugal Soares d'Eça Alarcão de Melo e Silva Mascarenhas, o marquês de Lavradio, como Vice-Rei da colônia, é realizada a maior feira de comércio anual da Colônia, na Glória. Seu sucessor, D. Luís de Vasconcelos e Souza, construiu no local um cais (LESSA, 2001, p. 45).
     Ainda na vigência do vice-reinado de D. Luís de Vasconcelos e Souza foram iniciadas, em 1779, e concluídas, em 1783, as obras do Passeio Público, onde se localizava a lagoa do Boqueirão da Ajuda, totalmente aterrada. As obras foram confiadas a Valentim da Fonseca e Silva, o Mestre Valentim (CRULS, 1952, p. 176). Até hoje está lá o chafariz dos Jacarés. O Passeio Público, o primeiro jardim público da cidade e da América do Sul, de certa forma contribuiu para o aumento das moradias ao redor, chegando à praia do Flamengo e Botafogo (CRULS, 1952, p. 194).
     O Rio de Janeiro foi capital portuguesa por treze anos, de 1808 a 1821, quando D. João VI retornou a Portugal legando a regência a seu filho D. Pedro. Inevitavelmente a chegada e a instalação da corte requereu significativas transformações no espaço urbano carioca e interveio sobremodo na paisagem arquitetônica de então.
     A corte instalou a sua moradia fixa no centro da cidade, mas precisamente na Praça XV, no Paço Real, antiga casa dos Vice-Reis. Era preciso conformar os contornos da cidade com a importância política e urbana que viria a representar com a instalação da corte.
     Assim, pessoas ligadas a nobreza portuguesa que aqui aportaram junto com a família real passaram a ocupar chácaras existentes em diversos pontos da capital. A necessidade de prover condições regulares de instalação dessas famílias deu ocasião a diversas obras de melhorias na infra-estrutura assumidas pelo poder público (CAVALCANTI, 2004, p. 100).
     Carlota Joaquina de Bourbon e Bragança, esposa do Rei D. João VI, habitou a Chácara de Botafogo, localizada na esquina do antigo Caminho Velho de Botafogo, atual Rua Marques de Abrantes, com a Praia de Botafogo. A Chácara de Botafogo, também conhecida como Palácio de Botafogo, pertencia ao Sr. José Fernandes, filho do contratador de diamantes João Fernandes e da ex-escrava Chica da Silva (PEQUENA).
     A vinda da corte resultou, entre outras, na divisão nítida de classes sociais que iria refletir-se na ocupação do espaço urbano. Desse modo com a introdução do bonde puxado a burro, essa separação foi facilitada. Com abertura de estradas e incremento dos meios de transportes as classes mais abastadas puderam deslocar-se para as regiões mais ao sul da cidade, onde estavam localizadas suas propriedades.
     O inglês William Gore Ousley, que esteve aqui na década de 1830, assim descreve o banho de mar em Botafogo, no livro O Rio de Janeiro de Antanho, de Affonso Escragnolle Taunay:

     Magníficos os banhos de mar em Botafogo! Onde as mais violentas ressacas não provocam ondas fortes, e onde a praia tinha o mais suave declive. Optimo para as senhoras sobretudo. Assim, no verão, inúmeras eram as barracas de banhistas ao longo do mar, onde se abrigavam as famílias desejosas de se revigorarem naquelas águas de banhos tão seguros e, além de tudo, piscosas e optimas para a navegação de pequenas embarcações, protegidas como eram das correntezas (OUSLEY apud GASPAR, 2004, p. 32).

     Em Botafogo as chácaras situavam-se principalmente na rua São Clemente e na rua de São Joaquim, atual rua Voluntários da Pátria (ABREU, 1987, p. 37). A ocupação de Botafogo deu causa à criação, em 1843, de uma carreira de barcos que fazia a ligação do bairro com o saco do Alferes, atual Santo Cristo, e, em 1844, outra companhia fazia a ligação de Botafogo à Ponta do Caju, nas proximidades da Quinta da Boa Vista (IDEM, p. 41).
     Os meios de transportes foram impulsionados com vistas a facilitar o acesso da aristocracia às suas propriedades. Muitas chácaras localizavam-se no eixo da rua São Clemente, e então a partir de 1846 iniciou-se a operacionalização de barcas a vapor que faziam a ligação de Botafogo com o cais Pharoux (LESSA, 2001, p. 140).
     Antes de ser organizado o Jockey Club do Hipódromo Fluminense, em 1849, pelo major Suckow, já existia na praia de Botafogo as corridas de cavalo (IDEM, p. 168).
     Diversas companhias passaram a dedicar linhas que fizessem ligação de vários bairros com o bairro de Botafogo. Com o tempo o bairro passou a atrair, além da costumeira aristocracia, muitos emigrantes portugueses dedicados ao comércio que se instalaram nos terrenos menos valorizados, próximos ao cemitério São João Batista, fundado em 1852.
     Os bairros de Flamengo e Botafogo passaram a ser constantemente ocupados e houve a necessidade de facilitar o deslocamento de pessoas deles para o centro urbano, onde realizavam suas atividades profissionais. Criou-se, então, em 1868 as primeiras linhas de trem e bondes elétricos que facilitassem o trânsito da população no interior da metrópole. Nestes bairros residiam, em fins do século XIX, diplomatas, capitalistas, ricos estrangeiros, enfim, a nata da sociedade aristocrática carioca.
     Em 1960 a cidade do Rio de Janeiro deixa de ser Distrito Federal e torna-se mais um Estado da Federação, com o nome de Estado da Guanabara, enfatizando o nome da baía onde se localiza a Enseada de Botafogo e a praia do Flamengo. Com isso, assume interinamente o cargo de Governador José de Sette Câmara, indicado pelo governo Federal. No ano seguinte assume o governo como primeiro governado eleito, o deputado Carlos Frederico Werneck de Lacerda.
     O Governo Lacerda dinamiza mudanças radicais na cidade, removendo vinte e sete favelas para outras regiões e implementando uma série de modificações paisagísticas. Muitas obras foram realizadas na cidade, como a abertura do túnel Rebouças, o alargamento da praia de Copacabana, a construção da avenida Perimetral, que passa por cima da Praça XV, sendo por isso destruído o mercado municipal ali construído por Nuno Alves Pereira e Souza, em 1907. Restou do mercado apenas dois prédios, sendo que num deles instala-se hoje o restaurante Albamar.
     Das obras paisagísticas realizadas no período a mais grandiosa, a mais extensa e completa área de lazer da cidade foi o Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, conhecido como "Aterro do Flamengo". Está situado junto à orla da Baía da Guanabara, sendo a maior parte contígua à Praia do Flamengo. Abrange uma faixa de 121,9 hectares, que se estende desde o Aeroporto Santos Dumont até o Morro da Viúva em Botafogo.

   

O "Aterro" no período da construção e depois de concluído.


     Idealizado por Maria Carlota Macedo, o Parque é um dos principais pontos de entretenimento da cidade. Além da extensa área para passeio e a praia, apesar de ter suas águas poluídas pela baía de Guanabara, pode-se encontrar lá pista de aeromodelismo; tanque de modelismo naval; campos de futebol; quadras de tênis; campos de basquete; restaurantes; o Museu de Arte Moderna; o Museu Carmen Miranda; ciclovia; o Monumento a Estácio de Sá, projetado por Lúcio Costa (FRAIHA; LOBO, 1998, p. 50); a Marina da Glória, projetada pelos arquitetos Amaro Machado, Duarte Bello e Luiz de Souza (FRAIHA; LOBO, 1998, p. 56); o Monumento aos Pracinhas, idealizado pelo marechal João Baptista Mascarenhas de Moraes e projetado pelos arquitetos Hélio Ribas Marinho e Marcos Konder (FRAIHA; LOBO, 1998, p. 57). Possui ainda um playground para as crianças se divertirem.
     A vegetação é um projeto de Burle Marx. O parque modificou significativamente a paisagem do bairro do Flamengo e é hoje um dos cartões postais mais constante que divulgam a imagem da cidade no Brasil e no exterior.
 


Referências

ABREU, Mauricio de A.. Evolução urbana do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: IPLANRIO/Jorge Zahar, 1987.

ADEMI. Na Glória se descobre que viver é uma arte. Rio de Janeiro: ADEMI, abr. 1979.

________ . Marinas, um projeto revivido. Rio de Janeiro: ADEMI, maio 1979.

BOTAFOGO, Ana; BRAGA, Suzana. Ana Botafogo: na magia do palco. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.

CAVALCANTI, Nireu. O Rio de Janeiro setecentista: a vida e a construção da cidade da invasão francesa até a chegada da corte. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

________ . Crônicas históricas do Rio colonial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.

COHEN, Alberto A.; FRIDMAN, Sergio A.. Rio de Janeiro ontem & hoje. 2 v., fotografias: Ricardo Siqueira. Rio de Janeiro: Amazon, 1998.

CRULS, Gastão. Aparência do Rio de Janeiro: notícia histórica e descritiva da cidade. 2. ed., 2 v., Rio de Janeiro: José Olympio, 1952.

FRAIHA, Silvia; LOBO, Tiza (coords.). Flamengo. Rio de Janeiro: Fraiha, 1998.

GORBERG, Samuel; FRIDMAN, Sergio A.. Mercados no Rio de Janeiro: 1834-1962. Rio de Janeiro: S. Gorberg, 2003.

LESSA, Carlos. O Rio de todos os Brasis: uma reflexão em busca da auto-estima. 2. ed., Rio de Janeiro: Record, 2001.

MOTTA, Marly. Rio, cidade-capital. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004. (Descobrindo o Brasil).

PEQUENA História do Catete. Biografias: Carlota Joaquina. Disponível em: <http://www.bairrodocatete.com.br/carlotajoaquina1.html>. Acesso em: 28 set. 2004.

SEARA, Berenice. Guia de roteiros do Rio Antigo. 2. ed., Rio de Janeiro: O Globo, 2004.

SIANO, Lúcia Maria França; SARAIVA, Suzana Barros Corrêa (orgs.) UFRJ: 75 anos. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1997.

VELLOSO, Mônica Pimenta. As tradições populares na Belle Époque carioca. Rio de Janeiro: FUNARTE/Instituto Nacional do Folclore, 1988.