PEDAGOGIA EMPRESARIAL


 



Profissionalização de pessoas portadora de Síndrome de Down


Rosana da Penha Figueiredo
Rio de Janeiro, 2005.

 



 


       Monografia apresentada como pré-requisito para conclusão do curso de Pedagogia, do Centro de Ciências Humanas, da Universidade Veiga de Almeida, sob orientação do professor José Luiz Bello.
 



 


Dedico este trabalho á Deus pela possibilidade que me deu de estar hoje concluindo mais uma etapa da minha vida, aos meus pais Roberto e Nilda pelo carinho e companheirismo e a todos aqueles que me incentivaram e me apoiaram durante toda a realização deste trabalho.

 



 



 


RESUMO


      Para falarmos da profissionalização de uma pessoa com Síndrome de Down a pesquisa realizada teve como principio básico a identificação dos fatores que dificultam a profissionalização das pessoas com Síndrome de Down, que conseqüentemente nos levou a identificar quem são as pessoas com necessidades educacionais especiais e com Síndrome de Down, e no decorrer da dissertação levantar a importância de aceitar a viver com a diversidade, diferenciar os paradigmas de integração e inclusão, e o impacto do segundo diante à educação e o emprego. A pesquisa realizada, nos enriquece permitindo que tomemos consciências da injustiça que cometemos e do desperdício de talentos que temos ao segregarmos essas pessoas. As informações contidas neste material permitem ao leitor refletir sobre seus conceitos e atitudes e conscientizar-se de que ignorar as pessoas com deficiência é um ato desumano, antiético e ilegal.

ABSTRACT


      For us to speak of a person's professionalization to Down Syndrome the accomplished research he/she had how I begin basic the identification of the factors that you/they hinder the people's professionalization with Down Syndrome, that consequently took us to identify who are the people with special educational needs and with Down Syndrome, and in elapsing of the dissertation to lift the importance of accepting to live with the diversity, to differentiate the integration paradigms and inclusion, and the impact of the second before to the education and the employment. The accomplished research, it enriches being permitted that take consciences of the injustice that we made and of the waste of talents that we have to the we segregate those people. The information contained in this material they allow to the reader to contemplate about your concepts and attitudes and to become aware that to ignore the people with deficiency it is an inhuman act, antiethic and illegal.
 



 


SUMÁRIO


1 INTRODUÇÃO

2 A PESSOA COM SINDROME DE DOWN
      2.1 Histórico
      2.2 Pessoa com necessidades educacionais especiais
      2.3 Síndrome de Down

3 PROFISSIONALIZAÇÃO DA PESSOA COM SÍNDROME DE DOWN
      3.1 O paradigma da inclusão e seu impacto na educação e no emprego
      3.2 A profissionalização da pessoa com Síndrome de Down

4 Conclusão

Referências
 



 

1 INTRODUÇÃO
 


      A escolha do tema do meu projeto foi inicialmente baseada em interesse pessoal, tendo em vista que me identifico com qualquer assunto relacionado aos portadores de necessidades especiais. Ao elaborar esta pesquisa quero conscientizar as pessoas portadores Síndrome de Down são capazes de desenvolver tarefas como nós.
      Outra questão que me direcionou ao tema foi a preocupação com o mercado de trabalho para estas pessoas. Hoje vivemos num momento de muito preconceito quanto às pessoas com deficiências. A visão que se tem é de que estas pessoas não têm capacidade para entrar no mercado, tornando-se um campo mais fechado para a inclusão dos deficientes.
      Todos os fatores que estão direta ou indiretamente ligados ao homem vivem em constante transformação no decorrer do tempo ate mesmo a referencia a eles sofreu alteração, pois antes eram chamados de mongolóides (pela semelhança com a população da Mongólia) no decorrer dos anos, pesquisas sobre esses assuntos aumentaram, como também no numero de instituições e profissionais interessados em auxiliar famílias no processo de desenvolvimento dos seus filhos. A partir de trabalhos de estudos e pesquisa foi possível afirmar que essas crianças têm potencialidade, diferentes das consideradas "normais" mas existem. As pessoas com Síndrome de Down podem não possuir variedade e intensidade em todos os aspectos do desenvolvimento, mas certamente possuem potencialidades e habilidades que tem, quando bem exploradas, são bem desenvolvidas. Porque não aproveitá-las, observando em habilidades se aplica mais tal ou qual potencialidade? Porque não desenvolvê-la para alcançarem a felicidade e o sentimento de participação na vida social, como sujeitos de direito? Porque não inseri-los no mercado de trabalho, aproveitando suas potencialidades e habilidades?
      Portanto, se podemos tê-los como cidadãos ativos, que contribuem para o crescimento social, não há porque desperdiçar este ser humano nos seus aspectos saudáveis e produtivos. Esta pessoa que quando reduzida ao puro assistencialismo, fora dos círculos sociais criativos e inativos no trabalho, torna-se um "peso" para a sociedade. Sem contar, que estaremos sendo preconceituosos em ignorar suas capacidades, confirmando e contribuindo como estigma de incapaz, que em tempos passados lhes foi atribuído.
      Por acreditar que as pessoas com Síndrome de Down tem potencial e possuem capacidade para contribuir com força de trabalho para a sociedade, independente do nível de sua deficiência, interesso-me em pesquisar sobre quais os fatores que dificultam o desenvolvimento e aprimoramento das habilidades das pessoas com Síndrome de Down e que impedem a sua inserção no mercado de trabalho competitivo. 2 A PESSOA COM SINDROME DE DOWN
      2.1 Histórico
      A Mudança de nome de excepcional para pessoa com necessidades educacionais especiais não é apenas uma coincidência. Ela expressa mudanças nos valores sociais. Nesse tópico faremos um percurso histórico desta questão. Na antiguidade, as pessoas consideradas diferentes, por terem limitação e necessidades diferenciadas, eram consideradas amaldiçoadas pelos deuses. De acordo com Werneck, "em devesas partes do mundo, sacrificavam os bebes que nasciam com algum tipo de deficiência". (1995, p. 61).
      O projeto Escola Viva, em sua Cartilha 1, apresenta um histórico resumido, a partir de vários autores, o olhar social sobre as pessoas com deficiência no decorrer dos séculos, conforme mostrado a seguir Kanner (1964 apud PROJETO, 2000, p. 8) afirma que a "única ocupação para os retardados mentais encontrados na literatura antiga e a de bobo ou de palhaço, para a diversão de senhores e de seus hospedes". Devido a assunção das idéias cristãs, as pessoas doentes, defeituosas e/ou mentalmente afetadas, estava protegidas de serem exterminadas, já que passaram a ser vistos como seres criados por Deus. Em contra partida, eram abandonadas á própria sorte. Para sobreviver, estas pessoas dependiam das sobras que recebiam da boa vontade e caridade das pessoas sem comprometimento. E o aproveitamento dessas pessoas como bobos da corte para promoção de diversão, permanecia na Idade Média.
      No século XIII surgem as primeiras legislações e instituição para abrigo das pessoas com deficiência mental
      Mas, a igreja ao passar por um período de disseminação do poder político e econômico, cria um documento que aponta as pessoas com deficiência, especialmente as pessoas com deficiência mental, como ameaçadoras e perigosas. Desta maneira, passam a sofrer perseguição, torturas e por fim o extermínio este período da historia da deficiência mental, era chamado por Pitnner (1993 apud PROJETO, 2000, p. 11) como a "época dos açoites e das algemas", por ser marcada pela intolerância, onde o homem era entendido como uma besta demoníaca, por lhe faltar a razão. Pessotti (1984, p. 11) coloca que "o homem é o próprio mal, quando lhe faleça a razão ou lhe falte a graça celeste a iluminar-lhe o intelecto: assim, dementes e amentes são em essência seres diabólicos"
      Surgindo novas idéias no século XVI, referentes à natureza orgânica da deficiência. Essas deficiências também passaram a ser tratado pela alquimia, magia e astrologia - método iniciantes da medicina.
      Os avanços da medicina fortaleceram a tese da organicidade (tese que defende que as deficiências são causadas por fatores naturais e não por fatores espirituais e transcendentais) no século XVII, ampliando a compreensão da deficiência como processo natural, favorecendo o surgimento de ações de tratamento médico para as pessoas com deficiência. Já as ações de ensino, encaminham-se muito lentamente, desenvolvendo-se a partir do século XVIII, mas atenção formal às pessoas com deficiência iniciou-se com a criação de internatos, ainda no século XVII, idéia importada da Europa, no período Imperial.
      Surge o paradigma da Institucionalização, que caracteriza a relação da sociedade com a parte da população que possui deficiência. Nesse percalço, criam-se asilos e hospitais psiquiátricos que seriam para tratar das pessoas com deficiência, mas na realidade eram e algumas ainda são confinamentos. Este paradigma que classifica essa população como incapaz vem persistindo em nosso país até hoje.
      O olhar crítico pairou sobre o paradigma da Institucionalização, somente no século XX, a partir do fim da década de 50 e de 60. Nesta época, iniciaram questionamentos e pressões contrarias à Institucionalização que provinham de diversos interesses. Como por exemplo: o interesse do sistema, que custava cada vez mais manter a população institucionalizada, na improdutividade e na condição crônica de segregação, assim tornava-se interessante o discurso da autonomia e da produtividade, para a administração pública dos países que se adiantavam no estudo do sistema de atenção ao deficiente.
      A década de 60 foi marcada por um processo de reflexão e de critica sobre os direitos humanos, os direitos da minoria, sobre a liberdade sexual, os sistemas de organização político-econômicos e seus efeitos na construção da sociedade e da subjetividade humana. Somando-se a estes, a relação da sociedade com as pessoas com necessidades educacionais especais, incluídas as pessoas com deficiência, passando, então a circular no debate social os conceitos de normalização e desinstitucionalização.
      A partir da década de 60 o Brasil foi palco de centros de reabilitações para todos os tipos de deficiência, no paradigma de serviços, voltados para os objetivos de integração de pessoa com deficiência na sociedade e suas diversas instancias (PROJETO, 2000, p. 250).
      Nesta época o capitalismo mercantil já havia se movimentado para comercial capitalismo financeiro. Interessado em tornar ativa qualquer mão-de-obra, além do interesse em diminuir os custos para aumentar o lucro.
      Devido ao fracasso da restauração do funcionamento normal do indivíduo nas relações interpessoais, na integração social e produção no trabalho e no estudo, foi iniciada a desinstitucionalização, com base na ideologia da normalização.
      A ideologia da normalização defendia a necessidade de introduzir a pessoa com deficiência na sociedade, procurando ajudá-la a adquiri as condições e os padrões da vida cotidiana, no nível mais próximo possível do normal. Tendo como base a idéia que o homem quando nasce, é um ser absolutamente vazio de informações e experiências. O seu saber vai sendo adquirido e fundamentado durante sua vivência e conforme elas se apresentam em sua vida.
      A partir deste momento, cria-se o conceito de integração. Este se refere em mudar a pessoa com deficiência, tornando-a o mais semelhante possível dos cidadãos considerados "normais", para que pudessem, a partir de então, serem inseridos, integrado no convívio sócia. Essa proposta de igualdade de direitos e deveres inicia a defesa de permanência de pessoas com deficiência em período parcial ou total no mesmo ambiente o menos restritivo possível com pessoas sem deficiência, desde que elas estejam preparadas para tal. Conforme colocação feita no II Congresso e no I Encontro Latino-Americano sobre Síndrome de Down (1997)
      A integração é em primeiro lugar, a possibilidade das pessoas portadoras de deficiência viverem e conviverem com pessoas da comunidade. É, em segundo lugar o sentimento do indivíduo de "pertencer" e identificar-se com a comunidade e com as pessoas que delas participam.
      Podemos, portanto, ver a integração com a Política Nacional de Educação Especial (1994) como "um processo dinâmico de participação das pessoas num contexto relacional, legitimando sua interação dos grupos sociais. A integração implica em reciprocidade". (p. 18). Todavia, para que isso aconteça, é preciso que a sociedade se reorganize para viabilizar essas modificações oferecendo os serviço e os recursos que essas pessoas necessitam.
      Este novo modelo também foi chamado de paradigma de serviços que se organizou em três etapas, como: avaliar o que seria necessário mudar no sujeito; a intervenção através de atendimento formal e sistematizado e o encaminhamento da comunidade. A manifestação educacional desse paradigma efetivou-se desde o inicio, das escolas especiais. Nas entidades assistências e nos centros de reabilitação. O projeto escola viva aponta como o ano de 1981 sendo promulgado o ano internacional da pessoa deficiente impulsiono as questões referentes as pessoas com deficiência.
      O ano de 1981, Ano Internacional da Pessoa Deficiente, veio motivar uma sociedade que chamava por transformação significativa nessa área para debater organizar-se estabelecer metas e objetivos que encaminharão novos desdobramentos importantes. (PROJETO, 2000, p. 26).
      Entretanto, as criticas ocorrem, baseadas nas reais dificuldades encontradas, já que as diferenças não se apagam de uma hora para outra elas devem ser bem trabalhadas na sociedade. A erronia visão de que o diferente é inferior, ainda precisa ser muito combatida e dizimada do imaginário social, pois afinal, qual ser humano que é igual ao outro?
      Com a perda de força da normalização, a discussão sobre a pessoa com deficiência ser um cidadão como qualquer outra e ter os mesmos direitos de determinação e oportunidades, independente da deficiência e do grau de comprometimento que apresenta, ganhou mais espaço, dando origem a um terceiro e atual paradigma - o Paradigma de suporte, de característica da proposta inclusiva.
      A década de 90 iniciou-se com a aceitação política da proposta de educação para todos produzida em Jomtien, Tailândia na conferencia mundial da UNESCO. Ao assumir tal compromisso o, pois se determinou a profunda transformação do sistema educacional brasileiro, de forma a poder acolher a todos, indiscriminadamente com qualidade e igualdade de condições. (PROJETO, 2000, p. 26).
      Nesse paradigma, a pessoa com deficiência têm direito à convivência não segregada e ao acesso imediato e contínuo aos recursos disponíveis aos demais cidadãos. Para garantir tais direitos, desenvolveu-se o processo de disponibilização de suporte (social, econômico, físico, instrumental), que tem a função de favorecer a construção do processo de inclusão social. O Brasil adotou este proposta e comprometeu-se a construção e a adequação do sistema educacional brasileiro condizente com o paradigma da Educação e a adequação destaque para a população de alunos com necessidades educacionais especiais.
      Na inclusão, as intervenções devem ocorrer no processo de desenvolvimento do sujeito e no processo de reajuste da realidade. Nosso governo deve encontrar através de seus estudos e reflexões os moldes eficazes de educação inclusiva que possibilite a igualdade tão desejada. Para que as pessoas com necessidades educacionais especiais tenha condição de estar e usufruir do espaço comum e da vida social, alguns ajustes (físicos, materiais, humanos, sociais, legais etc) tornaram-se necessários.
      Desta maneira, podemos analisar que a reciprocidade existente entre integração e inclusão está voltada às situações de convívio de pessoas com e sem deficiência, inclusive as mais severas. Onde a primeira, quer mudar o individuo e o período deste convívio varia, sendo parcial ou total (de acordo com o nível da deficiência), enquanto a segunda defende a mudança na sociedade para acolher o individuo e beneficiar a todos, e o período total para todas as pessoas.
      2.2 Pessoa com necessidades educacionais especiais
      Em qualquer ambiente a diversidade reina. E o ambiente escolar, por suas vez, não poderia fugir a regra. A diversidade fica na escola neste contexto será a pessoa com necessidades educacionais especiais.
      Esta terminologia surgiu visando dar ênfase as necessidades que o individuo tem no âmbito educacional, deslocando o foco dos atributos e condições individuais que os demais termos davam e acabavam por interferir no processo de aprendizagem. Alem do grande descrédito que lhes é/era depositado ao considerá-los "um defeito, uma fraqueza, uma desvantagem" (GOFFMAN, 1988, p. 12) na sociedade minimizar o estigma e atenuar o preconceito, foram as possíveis intenções que levaram as diversas mudanças de expressões. Como consta na Declaração de Salamanca, "a expressão necessidades educativas especiais referem-se a todas crianças e jovens cuja carência se relacionam com deficiência ou dificuldade escolares". (p 6).
      Assim, podemos classificar como pessoas com necessidade educacionais especiais, todos os alunos que apresentam algum problema de aprendizagem ao longo se sua escolarização. De acordo Coll (1995, p. 12) as necessidades educacionais especiais serão reveladas na escola, pois "o processo de ensino aprendizagem onde em alguns casos origina-se, em outros manifestam-se em outros intensificam-se as diferentes situações problemáticas vividas pelos alunos". As dificuldades de aprendizagem podem ser decorrentes de influencias de diferentes situações familiares, de historias de pobreza, de habitação inferior de uma saúde frágil de um comprometimento sensorial e físico, alem de dificuldade emocionais e comportamentais.
      Sendo assim torna-se muito relativo conceituar dificuldade de aprendizagem tendo em vista que cada instituição tem sua concepção de educação. Desta forma, deve ser levar em conta os objetivos educacionais visados, o currículo estabelecido, os níveis exigidos e os sistemas de avaliação empregados. Pois, um sistema educacional que da ênfase a rigidez à homogeneidade, aos objetivos cognitivos e não é flexível, dificulta a capacidade de adaptação do educando, possibilitando a desvinculação do processo de aprendizagem dos alunos que são frágeis diante dos demais alunos da mesma faixa etária. Esta proposta passa assim a exigir dos educadores uma atenção mais especifica e maiores recursos educacionais. Contudo, para efeito de prioridade no atendimento educacional especial, a categorização desses alunos importante, visto que a proposta educacional dá ênfase às deficiências visual, auditiva, física, mental, condutas típicas e altas habilidades.
      A detecção e avaliação das necessidades educacionais especiais constituem uma etapa primordial. O objetivo não é conseguir encontra os traços que permitam situar determinados alunos dentro de uma das categorias em que se distribuem as deficiências. Ele é muito mais abrangente, com mais nuances e mais ligados as possibilidades educacionais. Trata-se sem dúvidas, de conhecer os perfis evolutivos da criança, suas limitações e atrasos, determinando se existe uma etiologia orgânica ou ambiental. No entanto, a finalidade primordial é analisar suas potencialidades de desenvolvimento e aprendizagem, avaliando ao mesmo tempo quais são os recursos educacionais que necessita e em que tipo de escolas os mesmos podem ser encontrados para conseguir que sua evolução seja satisfatória. (COLL, 1995, p. 12).
      Vale ressaltar, que os problemas de aprendizagem originados no âmbito social e cultural, são dificuldades temporárias que através dos recursos e atendimentos especializados são superados com tempo. Em contra partida, as originadas por algum tipo de deficiência são permanente onde os serviços especializados contribuem minimizando o rotulo de incapazes que lhes foram atribuídos, proporcionando o desenvolvimento e a possibilidade a aquisição de conhecimentos curriculares.
      Sabendo que por muitos anos, as deficiências na inteligência, no raciocínio, na linguagem, na percepção visual na condição fonológica ou na memória eram responsáveis pelos diferentes problemas de aprendizagem era uma determinada habilidade, por não serem estudadas como um fenômeno autônomo próprio de um aluno. Esta visão surgiu ao criar uma nova terminologia que pudesse substituir o termo deficiência, que traz consigo, um peso semântico, que implica a não eficiência, acarretando mais estigma que favorecem a discriminação, passando a entendê-la numa perspectiva educacional. A deficiência a qual pessoa apresenta, não impede de participar do processo de aprendizagem que é proporcionado às pessoas que não tem deficiência. Todavia, o nível de deficiência é que pode dificultar esta aprendizagem, exigindo mais atenção, paciência e aplicação de diferentes métodos na construção do conhecimento acadêmico. Na opinião Stainback (1999) educação especial deve fundir-se a educação regular para permitir que todas as pessoas com deficiência, inclusive as severas façam parte da escola inclusiva, eliminando o isolamento. Em uma visão diferenciada, Coll (1995) acredita que as crianças com atrasos mais profundos ou graves devam permanecer em grupos educacionais especiais tendo contato escassos com as crianças da mesma idade e de grupos segregados enquanto as crianças com atrasos leves ou moderados considera preferível a integração educacional esta opinião refere-se aos atrasos mentais. Segundo ele, o âmbito do atraso mental e mais complexo, já que as crianças com atraso são menos eficiente em seus processos cognitivos básicos e sabem menos que as crianças "normais", ou seja, tem uma base do conhecimento mais imitado.
      Os estudos realizados com crianças com problemas de aprendizagem e com atraso mental parecem mostrar as dificuldades destes indivíduos residem precisamente na falta de capacidade para aprender por si mesmo as informações que foram dadas e que é necessário para resolver um problema, bem como na capacidade de generalizar o aprendido. (COLL, 1995, p. 31-32).
      Contudo, salienta-se que os atrasos das crianças com necessidades educacionais especiais na aprendizagem são sinônimos de uma limitação na capacidade de generalização ou transferência, o que é conseqüência, por sua vez, das dificuldades que este indivíduos apresentam para planejar e regular seus processos de conhecimento. (COLL, 1995, p. 27).
      Na transição de designações, aumentou-se o numero de crianças consideradas com necessidades educacionais especiais, devido a transferência de foco do individuo para as dificuldades educacionais dessas crianças que apresentam-se de forma diferenciada da esperada pela sociedade no ritmo de aprendizagem, que podem ser de origem ambiental, social e cultural. Isso não impossibilita de usufruírem de todos os espaços que desejarem, como vem acontecendo no decorrer dos anos. As pessoas independentes de terra ou não algum tipo de necessidade educacional especial tem todo o direito de usufruir dos espaços sociais , a começar pela sua comunidade e pela escola.
      É dever da família, da sociedade e do estado assegurar a criança e ao adolescente como absoluta prioridade, direito à vida, a saúde, a alimentação, a educação, ao laser, a profissionalização, a cultura, a dignidade, ao respeito, a liberdade a convivência familiar e a comunidade, alem de coloca-lo a salvo de toda forma de negligencia, descriminação, exploração, violência, crueldade e opressão (CONSTITUIÇÃO, 1998, §1º, II art. 227).
      2.3 Síndrome de Down
      Muitos de nós fazemos confusão entre doença mental, deficiência mental e Síndrome de Down, não os distinguimos, pelo contrario definimos os da mesma forma.
      A doença mental, não tem conceito universal definido, entretanto, sabe-se que esses transtornos de saúde podem afetar sentimentos, pensamentos e comportamentos, contudo podem ter cura em alguns casos em contra partida, a deficiência mental é uma condição, e não tem cura. "A deficiência mental é tão antiga quanto o homem. O que sempre variou é a forma como cada civilização lidou com esta questão do ser diferente". (WERNECK, 1995, p. 61).
      De acordo com Houaiss (1998, p. 1495), Síndrome quer dizer "conjuntos de sintomas que caracterizam uma doença". No caso da Síndrome de Down, um dos sintomas é a deficiência mental. O funcionamento do cérebro é afetado pela presença de material genético extra. De acordo com o grau de comprometimento do individuo, o retardo mental pode ser classificado de leve, moderado, severo e profundo. (WERNECK, 1995, p. 62).
      O quadro clínico da pessoa com Síndrome de Down é originado de uma alteração genética, ou seja, de um erro na distribuição dos cromossomos, ficando um elemento extra único ao par 21, também conhecido como "Trissomia do par 21" (LEFREVRE, 1985, p. 971) podendo ocorrer de três formas:
      1. Por acidente, quando os pais possuem cariótipos normal, conhecida como Trissomia siomples (livre)
      2. Por acidente genético ou herança dos pais, que tem apenas 45 cromossomos, e é dominado trissomia por translocação; e
      3. Pela existência de células normais e trissômicas no individuo. Essa trissomia chamada por Mossaicismo é derivado de um caso que seriade trissomia simples ou de traslocação.
      Em Muito Prazer, eu existo, Werneck afirma que "a trissomia livre é responsável por cerca de 96 por cento dos registros da Síndrome. (1995, p. 75).
      A pessoa com deficiência é identificada pela sua limitação cognitiva e pelos traços físicos, que são típicos desses indivíduos, como: olhos puxados e dobras da pele nos cantos internos, cabelos lisos e finos, nariz pequeno e um pouco "achatado", rosto redondo, orelhas pequenas, baixa estatura, pescoço curto e grosso, flacidez muscular, mãos pequenas e gordas com dedos curtos, prega palmar única e cavidade bucal pequena, dando a impressão da língua ser grande.
      Excluídos pela sociedade, as pessoas com Síndrome de Down enfrentam inúmeros obstáculos oriundos do preconceito das pessoas que não estão devidamente esclarecidas sob a forma a qual, a deficiência os afeta.
      Mesmo as pessoas que possuem seu lado cognitivo, mas comprometido, têm condições de desenvolver alguma habilidade, seja ela qual for (artesanato, interpretação, música...) vale ressaltar, que as pessoas com esta síndrome podem não possuir diversas habilidades com os indivíduos sem comprometimento, todavia, tudo o que faz pode ter um elevado nível qualitativo. "a Síndrome de Down e apenas um atraso no desenvolvimento, tanto das funções motoras do corpo como as funções mentais". (WERNECK, 1995, p. 123). O que importa é que as pessoas com Síndrome de Down podem deixar ser vistas pela sociedade com coitadinhos e incapazes e tornarem-se cidadãos assíduos dos bancos escolares, do mercado de trabalho e dos espaços de laser numa sociedade que o acolhe respeitando suas limitações e valorizando o seu potencial como uma sociedade inclusiva deve fazer. Werneck coloca que:
      Lefrèvere complementa esse pensamento que a Síndrome de Down faz parte do grupo de incefalopatias não progressivas, isto é, que a medida que o tempo passa não mostra acentuações da lentidão do desenvolvimento, nem o agente da doença se torna mais grave. Insefalopatias são, genericamente, as doenças localizadas no cérebro. Uma criança com Síndrome de Down tem dependência espontânea para melhora, porque o seu sistema nervoso central continua a amadurecer com o correr do tempo; o problema e que esse amadurecimento é mais lento do que o observado nas crianças normais. (1995, p.17).
      A família exerce um papel importante na família da pessoa com Síndrome de Down. Já que desde o primeiro ano de vida deve-se começar o tratamento de estimulação e fazer com que a pessoa perceba o sentimento de segurança emocional o senso de confiança, e a veja como modelo de identificação sexual e de comportamento alem de sua parceria com a escola e que a proporcionara competência, personalidade saudável e ajustamento social dando-lhe desta maneira autonomia, para que possa chegar a idade de preparação profissional, confiante de seu desenvolvimento e sua inserção no mercado de trabalho, estando, sobretudo, consciente de sua cidadania, direitos e deveres na sociedade, e dos obstáculos que terá que enfrentar neste percurso.
      Podemos perceber que estes indivíduos têm uma vida segregada, graças à estrutura social com preconceito, pré-conceitos, tabus, estereotipo que foram criados ao longo do tempo e mantidos ate hoje injustamente criando desta forma, a pessoa com Síndrome de Down como figura de um ser incapaz que sempre dependerá de alguém, tornado-se um "peso" na visa dos seus. Visão erronia (por parte da sociedade) que vem proporcionado aumento das dificuldades que impossibilitam as pessoas com deficiência de desenvolverem e aplicarem as habilidades que se sobrepõe a deficiência.
      Embora o potencial cognitivo deles seja mal elaborado e improcedente dizer que não sejam capazes de abstrair. O portador de deficiência mental é incapaz de pensamentos formais, mais nossa experiência tem mostrado que ordem chegar a operações lógica de nível concreto e que, em todas as oportunidades deve-se propor o estimulo do processo de abstração. (WERNECK, 1995 p.162). 3 A PROFISSIONALIZAÇÃO DA PESSOA COM SÍNDROME DE DOWN
      3.1 O paradigma da inclusão e seu impacto na educação e no emprego
      É imperativo que haja uma mudança na perspectiva social, pois por tempo já demasiado longo, as pessoas com deficiência têm sido marcadas por uma sociedade incapacitada que acentua mais os seus limites do que suas potencialidades. (DECLARAÇÃO, 1994, p. 6-7).
      As sociedades se transformam, fazem-se e desfazem-se constantemente, mantendo apenas o errôneo conceito sobre as pessoas com deficiência, mais especificamente, das pessoas com Síndrome de Down, devido aos traços físicos que lhe são típicos. É justamente esse tipo de consciência que o sistema inclusivo deseja alterar na sociedade. Que desfaçam essa visão preconceituosa e percebam que já é hora de transformarem-se e dar igualdade de oportunidades para as pessoas com deficiência, quer seja na comunidade, escola, espaços de lazer ou mercado de trabalho. "A inclusão é um dos princípios fundamentais em que a transformação da sociedade deve se basear" (KARAGIANNIS, 1994 apud STAINBACK, 1999, p. 29). O que importa não é a dificuldade que a deficiência proporciona, mas sim a potencialidade que possui em suas habilidades. "O olhar da família, da escola e da sociedade deve ser diferente daquilo que normalmente ocorre" (II Congresso Brasileiro e I Encontro Latino-Americano Sobre Síndrome de Down, 1997, p. 328). É direito de todo cidadão gozar de experiências e espaços que fazem parte do meio social ao qual está inserido. Portanto, insistir em evitar e ignorar as pessoas com deficiência é um ato desumano, antiético e ilegal.
      Educando todos os alunos juntos, as pessoas com deficiências têm oportunidade de preparar-se para a vida na comunidade, os professores melhoram suas habilidades profissionais e a sociedade toma a decisão consciente de funcionar de acordo com o valor social da igualdade para todas as pessoas, com os conseqüentes resultados de melhoria da paz social. (STAINBACK, 1999, p. 21).
      Devemos compartilhar os espaços e oportunidades, e ver as pessoas com deficiência como iguais, respeitando suas diferenças, tornando-nos uma sociedade inclusiva, onde as pessoas acreditam que "a inclusão é um novo paradigma de pensamento e de ação, no sentido de incluir todos os indivíduos e uma sociedade na qual a diversidade está se tornando mais norma do que exceção". (SKRTIC, 1994 apud STAINBACK, 1999, p. 31).
      O Ato dos Americanos com Deficiência (ADA apud STAINBACK, 1999, p. 31), expressa com convicção que: "A maneira de promover a produtividade e a independência das pessoas com deficiência é remover as barreiras que a nossa sociedade criou e restaurar os direitos dos cidadãos com deficiência" para compartilhar das oportunidades disponíveis aos indivíduos sem deficiência.
      O sistema de integração e inclusão (que funciona de forma mútua) é a porta que está se abrindo para oportunizar a sociedade de reconstruir os seus conceitos sobre as pessoas com deficiências.
      A escola é o lugar ideal para implantar estes sistemas, já que nelas estão sendo "atingidos" crianças e adultos, ou seja, alunos, pais, professores, direção e demais funcionários.
      A Declaração da Salamanca defende o sistema de inclusão. Inclusão esta que está ligada a todos os pontos da nossa sociedade. Devendo a escola ser a principal defensora e atuantes nesta causa, tendo em vista, que é nesta instituição que as pessoas iniciam sua construção intelectual, profissional e social. Assim, observa-se que "os sistemas de educação devem ser planeados e os programas educativos implementados tendo em vista a vasta diversidade dessas características e necessidades". (DECLARAÇÃO, 1994, viii).
      A convivência na diversidade proporciona à criança com deficiência que tenha necessidades educacionais especiais, maior possibilidade de desenvolvimento acadêmico e social. Proporciona ainda, para todos, alunos e professores, com e sem necessidades educacionais especiais, a prática saudável e educativa da convivência na diversidade e da administração das diferenças no exercício das relações interpessoais, aspecto fundamental da democracia e da cidadania. (PROJETO, Cartilha 1, p. 20).
      A escola para todos dará às pessoas com necessidades educacionais especiais a oportunidade de desenvolvimento de suas habilidades e potencialidades. Estando inspirada no Princípio da integração, reconhece e respeita as características, interesses, capacidades e necessidades de cada aluno, já que essas diferenças são singulares, promovendo aprendizagem e o atendimento especializado ou não às necessidades individuais, dando uma maior eficácia à escola atual e derrubando barreiras sociais, como o preconceito. A nova geração de crianças poderá crescer convivendo com as diferenças individuais num clima de respeito e solidariedade, graças a este convívio possibilita-se a mudança de visão que terão das pessoas com necessidades educacionais especiais.
      Nas escolas inclusivas, os alunos com necessidades educativas especiais devem receber o apoio suplementar de que precisam para assegurar uma educação eficaz. A pedagogia inclusiva é a melhor forma de promover a solidariedade entre os alunos com necessidades educativas especiais e os seus colegas. (DECLARAÇÃO, 1994, p. 12).
      O aluno com necessidades educacionais especiais em uma escola regular com os suportes necessários tem maiores possibilidades de desenvolvimento do que em uma escola especial. Deve-se destacar que para o sucesso desta proposta, "haverá quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender as peculiaridades da clientela de educação especial" (LDB, 1996, art. 5º, §1º) paralelamente com o conteúdo acadêmico (com exceção nos casos mais severos) e principalmente pelo convívio com os demais alunos que possuem ou não alguma necessidade especial. O convício social aguça a capacidade de observação e nela a imitação é desenvolvida. Vários são os ganhos nesta convivência, além da interação dos alunos uns com os outros e com os professores quando ocorre a troca de experiências, o enriquecimento de conhecimentos curriculares e sociais, e provoca-se o despertar de habilidades com as atividades plicadas, enquadrando todos os alunos cada vez mais às regras sociais. Enquanto que, em uma instituição educacional especial, o aluno com deficiência terá seu desenvolvimento limitado devido o convívio ser apenas com pessoas nas mesmas condições, de níveis variados, além de estar cada vez mais segregado da sociedade no sentido mais amplo.
      Devemos levar em conta, a determinação do Tribunal de Recursos dos Estados Unidos, que "embora uma criança com deficiência possa não ser capaz de absorver todo o currículo da educação regular, ela pode beneficiar-se das experiências não-acadêmicas no ambiente educacional regular" (DANIEL apud STAINBACK, 1999, p. 23), pois em um ambiente inclusivo esta criança desenvolverá mais, ao descobrir coisas e aprender atitudes e comportamentos em determinados lugares e situações pela sua convivência e observação. Estando desta forma, mais preparada para a vida social.
      Quando ela tiver terminado a escola, será capaz de participar de algum tipo de situação integrada. Terá habilidades sociais que não teria tido e capacidade para atuar em situações mais complexas do que seria capaz se tivesse permanecido segregada (HANLINE; HALVORSEN, 1989, p. 490 apud STAINBACK, 1999, p.23).
      Para que a inclusão escolar ocorra efetiva e qualitativamente, é necessário que os órgãos governamentais responsáveis (conselhos, secretarias de educação estaduais e municipais) cumpram com as suas atribuições delegadas em conjunto.
      A Conferência Mundial da Unesco defendeu em 1994 que "a educação é uma questão de direitos humanos, e os indivíduos com deficiências devem fazer parte das escolas", entretanto, "a simples inclusão de alunos com deficiências em salas de aula de ensino regular não resulta em benefícios de aprendizagem". (MARTSON, 1987-1988 apud STAINBACK, 1999, p.22). Para que as escolas regulares atendam as necessidades de toda sua clientela, é preciso que esteja com sua estrutura modificada para enquadrar-se ao perfil deles. Quando este ponto não é considerado, observa-se o surgimento de algumas dificuldades, que causam insegurança em muitos pais de crianças com deficiência no sentido de apoiar esta proposta:
      Fica difícil enquadrá-los em uma escola comum, pois as mesmas não contam com uma equipe multidisciplinar acompanhando seu desenvolvimento e a preocupação dos pais é que esta criança venha falar, andar e se alfabetizar e, para que isso se realize, ela necessita de estímulos que supram todas as necessidades de um aluno com Síndrome de Down (ASPAD apud II Congresso Brasileiro e I Encontro Latino-Americano sobre Síndrome de Down, 1997, p. 320).
      Para dar início a esta modificação na estrutura das escolas, é indispensável que se promova a conscientização e preparação dos profissionais das instituições escolares. Pois os profissionais capacitados, sentir-se-ão mais seguros ao receber os alunos com deficiência. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) contribuem para o norteamento e orientação dos profissionais da educação quanto às propostas de ensino e aprendizagem, quanto à relação professor e aluno e todas as demais modificações decorrentes destes pontos. Os professores estando preparados para identificar as necessidades de cada aluno, inclusive as necessidades educacionais especiais, podem nortear o seu planejamento de modo mais consciente para facilitar o processo de aprendizagem. Cabe aos professores, proporcionar um ensino de qualidade, diversificado que atenda às necessidades de cada aluno, inclusive os com deficiência. Entretanto, destaca-se que o professor é responsável pelo aspecto educacional e não reabilitacional ou de saúde do aluno. Ele faz parte de uma equipe, onde outros profissionais também são co-responsáveis e devem estar comprometidos de igual modo, visto que algumas vezes é necessário um atendimento integrado por uma equipe interdisciplinar.
      As instituições de reabilitação ou entidades de formação profissional devem atuar como órgãos suplementares à rede oficial de ensino, num trabalho simultâneo ao processo de educação normal, apoiando alunos e professores. (MANTOAN, 1997, p. 30).
      As adaptações curriculares colaboram para a execução desta empreitada. Os Parâmetros Curriculares Nacionais afirmam que as adaptações curriculares constituem:
      Possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos. Pressupõem que se realize a adaptação do currículo regular, quando necessário, para torná-lo apropriado às peculiaridades dos alunos com necessidades especiais. Não um novo currículo, mas uns currículos dinâmicos, alteráveis, passíveis de ampliação, para que atenda realmente todos os educandos. (PCN, 1998, p. 33).
      Nota-se que não se propõe um currículo novo ou específico para a pessoa com necessidade educacional especial, mas uma flexibilização deste, com adaptações progressivas no intuito de garantir uma boa educação e um bom aproveitamento educacional do educando. A participação do aluno com necessidades educacionais especiais? Acompanhar a programação mais normal possível, mas sem desconsiderarem as especificidades de sua condição.
      Para que a escola possa favorecer em seu alunado a segurança, disciplina, responsabilidade, socialização e percepção de sua importância nas sociedades, a sua socialização pessoal e sua preparação profissional, ela necessita da conscientização, aceitação e apoio da família, sobre todas as necessidades e potencialidades que a criança possui, inclusive, na diminuição da dependência e aumento da independência. Isto porque a família é a primeira instituição a promover a educação e a socialização do indivíduo, já que ela é que transmite o sentimento de amor e confiança, além de ser o modelo de identificação e comportamento. "Pois o que vai diferenciá-las, em última instância, decidindo o seu potencial futuro, é a forma como puderam ser atendidas em seus primeiros minutos de vida". (WERNECK, 1995, p. 129). Facilitando ainda mais o seu desenvolvimento se propiciar-lhe a participação na rotina do âmbito familiar, que lhe dará um padrão de linguagem normal. Usufruindo todos os meios de que dispõe para o desenvolvimento da criança e agindo juntamente com a escola que é o seu segundo nível de socialização estará aspirando-lhe e favorecendo o seu ajustamento social. As crianças aprendem fazendo, e temos que lhes dar todas as oportunidades para se desenvolverem, possibilitando sua autonomia.
      A escola inclusiva tem a função de integrar todos os alunos na vida, na sociedade e no mercado de trabalho. Deve estimular, trabalhar suas habilidades e treiná-los para que lhes floresça a competência social e profissional em nível elevado. Para a escola inclusiva, "o principal propósito é facilitar e ajudar a aprendizagem e o ajustamento de todos os alunos, os cidadãos do futuro" (STAINBACK, 1999, p.31), devendo, para isso, estar aberta à criatividade e espontaneidade da criança, porque somente assim ela ganhará autoconfiança e coragem para se interagir.
      Discutida a questão da escola, surge a questão: Qual a relação entre a proposta inclusiva e a preparação para o trabalho? Cabe a escola, atualmente, guiar, orientar, avaliar e treinar todos os seus alunos, inclusive aqueles com deficiência, a profissionalizarem-se para serem adultos independentes. Para efetuarem essa profissionalização, os alunos com deficiência, ainda contam com poucas propostas de ação. As mais tradicionais são as oficinas profissionalizantes, que são conhecidas como: oficinas pedagógicas, ocupacionais e protegidas. Nelas irão adquirir, aprimorar e especializar seus conhecimentos práticos e teóricos nas habilidades que possuem. Assim como o mercado de trabalho está se modificando, as ações educacionais precisam se atualizar e refletirem suas propostas para adequarem-se aos novos tempos.
      Sassaki (1997, p. 60) faz um retrospecto quanto à profissionalização das pessoas com deficiência. São destacadas quatro fases: exclusão, segregação, integração e inclusão. A primeira, fase de exclusão, caracteriza-se pelo afastamento das pessoas com deficiência do mercado de trabalho, pois "empregar deficientes era tido como uma forma de exploração que deveria ser condenada por lei". Caminhando, em seguida, para a segunda fase, fase da segregação, que oportunizava as pessoas como deficiência com trabalhos no interior de instituições filantrópicas ou sem residências, mas estes agiam por seus sentimentos paternalistas e/ou objetivando lucro fácil com mão-de-obra barata. Saímos desta fase, e adentramos na fase da integração, sem pôr fim à prática anterior. Nesta fase, temos três formas de trabalho para pessoas com deficiência, em relação ao local de trabalho. São elas:
      " Trabalho plenamente integrado - sem nenhuma alteração no ambiente;
      " Trabalho integrado - com pequenas alterações no ambiente. Mas por motivos práticos, não pela integração social;
      " Trabalho semi-integrado - com ou sem modificações, mas em setores exclusivos.
      Atualmente, encontramo-nos na fase da inclusão. Fase esta que, ciente da realidade percentual do desemprego do país, objetiva não apenas a inclusão para as pessoas que possuem deficiências especiais, mas sim, o direito de igualdade a todos - com ou sem deficiência, na escola, no trabalho e na sociedade. A crise de emprego vivenciada no cotidiano é uma realidade ainda mais cruel para as pessoas com deficiência.
      O percentual de pessoas deficientes em idade economicamente ativa que está fora do mercado de trabalho é duas vezes superior ao das pessoas sem deficiências, embora todas tenham o mesmo direito de trabalhar. (SASSAKI, 1997, p. 62).
      Sem fórmulas prontas, o caminho da inclusão laborativa vem sendo construído pela sociedade. O II Congresso Brasileiro e I Encontro Latino-Americano sobre Síndrome de Down (1997) apontaram que "o interesse na contratação de pessoas especiais foi despertado pela necessidade de encontrarmos novos caminhos, novas oportunidades, sem contratação assistencialista, criando meios e formas de tratá-los como iguais, com todos os direitos e deveres, pois quem tem necessidades especiais, certamente terá suas habilidades especiais" (p.318). Contudo, não basta o acesso ao mercado de trabalho, é de suma importância que estas pessoas encontrem-se qualificadas para ocupar o cargo desejado. Pois este tem sido o maior empecilho para sua inserção na atividade laborativa, dentre as demais barreiras, como: "falta de reabilitação física e profissional, falta de escolaridade, falta de meios de transporte, falta de apoio das próprias famílias" (SASSAKI, 1997, p. 60) e a falta de conhecimento por parte dos administradores, que a pessoa portadora de deficiência é aquela capacitada para o trabalho em virtude de um treinamento especializado, respeitada a sua limitação física, visual, auditiva e mental.
      Pessoas com deficiências (apresentadas, colocadas, indicadas) por entidades especializadas (tais como: centros de reabilitação, associações de pessoas deficientes, centros de vida independente) são geralmente aquelas que foram preparadas para a vida de trabalho. Isto significa que elas apresentam qualidades pessoais que muitas vezes faltam nos candidatos que não são deficientes, simplesmente porque estes não passam por certos programas que, no caso de pessoas com deficiência, podem existir tanto nas entidades sociais e associações de pessoas. (II Congresso Brasileiro e I Encontro Latino-Americano sobre Síndrome de Down, 1997, p. 323).
      As empresas que adotarem o sistema inclusivo terão de sofrer adaptações em níveis diversos para recebê-los. Estas empresas podem estar sensibilizadas para esta questão quer seja por reconhecimento e capacitação das pessoas com deficiências ou, quer seja por imposição legal do Decreto nº 3298/99 art. 36 e Lei 8213/91 art. 93, que obriga as empresas a preencher de 2% a 5% do quadro de funcionários com pessoas deficientes. Vale citar que o processo de conscientização, sensibilização e motivação da equipe é fundamental para preparar a empresa às alterações que sofrerá e desmistificar as deficiências, neste caso, a Síndrome de Down.
      Empresa inclusiva é aquela que acredita no valor da diversidade humana, completa as diferenças individuais, efetua mudanças fundamentais nas práticas administrativas, implementa adaptações no ambiente físico, adapta procedimentos e instrumentos de trabalho, treina todos os recursos humanos na questão da inclusão,etc.. (SASSAKI, 1997, p. 65).
      Sassaki (1997) nos elenca os principais fatores internos de uma empresa que facilita a inclusão como resultado, beneficia todos os funcionários, são eles: adaptação de locais de trabalho, de aparelhos, máquinas, ferramentas e equipamentos, adaptação de procedimentos (fluxo) de trabalho; adoção de esquemas flexíveis no horário de trabalho; adoção de programas de emprego apoiado; revisão das políticas de contratação de pessoal; revisão das descrições de cargos e das análises ocupacionais; revisão dos programas de integração de empregados novos; revisão dos programas de treinamento e desenvolvimento de recursos humanos; revisão da filosofia da empresa; capacitação dos entrevistadores de pessoal; criação de empregos a partir de cargos já ocupados; realização de seminários internos de sensibilização das chefias; cumprimento das recomendações internacionais e da legislação nacional pertinente ao trabalho; adoção do esquema paralelo de trabalho domiciliar competitivo; adoção de esquemas de prevenção de acidentes e moléstias ocupacionais; informatização da empresa; participação da empresa em conselhos municipais e estaduais pertinentes as pessoas com deficiência; aquisição, e/ou facilitação na aquisição, de produtos da tecnologia assistiva que facilitem o desempenho profissional de empregados com deficiência diversa.
      A mão de obra de trabalhadores deficientes e não-deficientes contribui eficientemente para empresa atingir com sucesso os seus objetivos econômicos e, ao mesmo tempo, ajuda à empresa a cumprir a sua parte no esforço de inclusão fim de garantir aos portadores de deficiência o direito de trabalhar e a todos os trabalhadores e possibilidade de aprenderem uns dos outros. (SASSAKI, 1997 p. 70).
      3.2 A Profissionalização da Pessoa com Síndrome de Down
      A falta de conhecimento sobre deficiência mental e suas reais conseqüências causa e situações constrangedoras para as pessoas nesta condição e par seus familiares. Vários sãos os tabus que ainda insistem em fazer parte dessa sociedade, tais como relacionar à condição de deficiência mental a idéias de incapacidade, independência eterna, infantilidade e doença, entre outros estigmas pejorativos. Se a sociedade tivesse a informação do que é a deficiência mental e que ela não impossibilita s pessoas que as tem, de serem consideradas cidadãos participantes, talvez este tabus não estariam mais entre nós. Com isso, a sociedade teria a oportunidade de conhecer as dificuldades e facilidades que as pessoas de necessidades educacionais especais tem em realizar suas atividades diárias. Conhecer as habilidades e potencialidades que possuem, alem de participar do seu desenvolvimento que só poderia ocorrer através da interação com o outro e com o mundo. Sá assim, estaremos desmistificando a deficiência e vendo-a como característica que os diferenciam do que consideramos um padrão de normalidade. Assim, podemos constatar, que para as pessoas com deficiência mental levarem uma vida mais participativa, depende da vontade e interesse de parte da sociedade que lhes criam estereótipos, fazendo algumas afirmativas em relação aquilo que o individuo que esta á nossa frente deveria ser. Desta forma. A pessoa com Síndrome de Down deve desenvolver-se a ponto de mostrar para a sociedade seu potencial e que pode ser alem do que ela permite que seja, derrubando barreiras e destruído os estigmas.
      Um indivíduo que poderia ter sido facilmente recebido na relação social quotidiana possui um traço que podê-se impor à atenção e afastar aqueles que se encontra, destruindo a possibilidade de atenção para outros atributos seus. Ele possui um estigma, uma característica diferente da que havíamos previsto. (GOFFMAN, 1988).
      Percebemos que as pessoas com deficiência mental, mais especificamente as pessoas com Síndrome de Down, têm sido avaliadas não como pessoas que possuem habilidades e muita utilidade à comunidade, trem direito ao seu espaço na sociedade como qualquer pessoa com deficiência ou não, ms como modelos da insuficiência mental e da escassa habilidade. (Werneck, 1993).
      Consta na Constituição Brasileira (1998), que:
      Art 5. Todos são iguais perante a Lei. Sem distinção de qualquer natureza garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país inviolabilidade do direito à vida, a liberdade, a igualdade, a segurança e a propriedade.
      Todos nós temos os nossos direitos garantidos por lei, porém falta aos que possuem deficiência, a realização desses direitos no seu cotidiano. Ainda não usufruem realmente dos espaços sociais, como escolas regulares, locais de lazer, mercado de trabalho, freqüentando-os da mesma forma que os demais cidadãos, Visando garantir cada vez mais os direitos das pessoas de nossa sociedade a Constituição Brasileira (1988), a Lei de Diretrizes e Bases (LDB 1996) e a Declaração de Salamanca (1994) reafirmam e apontam claramente que cada criança tem direito fundamental à educação e deve ter a oportunidade de conseguir manter um nível favorável de aprendizagem, oportunizando-os de usufruírem tudo o que desejarem, mesmo o que desejarem, mesmo que com algumas limitações referentes á deficiência.
      Com a colaboração da família, da comunidade, da escola e de todos os profissionais que possam contribuir com o se desenvolvimento, as pessoas com Síndrome de Down poderão gradativamente vencer suas dificuldades e aprimorar suas habilidades mostrando seu potencial.
      Se formos conscientes, saberemos que não poderemos manter este comportamento social, expressivo de uma sociedade incapaz de absorvê-lo, quer como cidadãos quer como profissionais, pois estaremos ignorando os direitos que constam, na constituição contrariando nossos preceitos éticos, além de estar desperdiçando anos de esforços e dedicação da família e da própria pessoa com deficiência.
      Art. 205. A educação, direito de todos e dever do estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercito da cidadania e de sua qualificação para o trabalho.
      Deveria-se incentivar e incrementar programas de conscientização sobre Direitos Humanos aplicados e de maneira a atingir o maior número de pessoas possíveis, visando proporcionar-lhes momentos de reflexão e reformulação sobre seus conceitos, e com isso, a conquista de novos espaços para a integração e a inclusão das pessoas com deficiência.
      Os meios de comunicação social podem desempenhar um importante papel na promoção de uma atitude positiva perante a integração de pessoas deficientes na sociedade, contribuindo para superar preconceitos negativos e a desinformação e difundir maior otimismo e imaginação sobre as respectivas capacidades (DECLARAÇÃO, 1994 art. 69).
      Esperamos que com todos os direitos legalmente reconhecido, e com os programas de conscientização que vem sendo realizados, a resistência da sociedade principalmente das instituições escolares e não-escolares sejam rompidas. Tendo em vista, que através destas realizações, compreensão e o reconhecimento do potencial das pessoas com deficiência, abram as portas para que as instituições se reestruturem e se adaptem ao sistema inclusivo, atendendo às necessidades de seus alunos e funcionários para que tenham um bom desempenho exercendo seu papel de cidadão participativo. Desta maneira, estaremos favorecendo o aumento de sua auto-estima e de todos os envolvidos que, automaticamente, as estimularão a aprender e desenvolver-se cada vez mais, colaborando na eliminação do estereótipo de incapaz que lhes foram atribuídos.
      Se trabalharmos juntos, teremos um mundo mais digno e justo. De uma sociedade que compartilha os espaços de forma igualitária, onde as escolas permitam o crescimento e aquisição de novos conhecimentos através da interação, trabalhando o desenvolvimento e aprimoramento das habilidades de seus alunos, tornado-os aptos a disputarem as vagas nas empresas, participado de um mercado de trabalho, que pode ser ou não competitivo e, ao final do processo tornar-se parte de uma sociedade inclusiva.
      A Lei de Diretrizes e Bases (1996) aponta para esta questão no art 59, Inciso IV:
      Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade inclusive condições adequadas para os que não rebelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulações com órgão oficiais afins, bem como para aquele que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora.
      Os sinais de mudança social na direção de uma busca de uma sociedade mais justa. E igualitária, como proposto no paradigma da inclusão pode ser encontrado em nosso cotidiano a mídia por exercer grande influencia social, pode contribuir sobre maneira neste processo. Como prova disso, temos em alguns comerciais e novelas e atuação de atore com Síndrome de Down, mostrando sua capacidade em representar, não apenas como de figurante, mas com falas importantes esse fato revela que todas as pessoas com deficiência têm potencial e habilidades. E necessário conhecer essas habilidades e oportunizar o seu desenvolvimento e aproveitamento.
      De forma bastante ampla, qualquer jovem, o confrontar-se com a questão profissional confronta-se também, com uma serie de incertezas de indagações, com a ansiedade. Há que fazer confluir para o mesmo desenho não só seus medos e incertezas, mais especialmente sua expectativa desejo, motivações, bem como as expectativas de seu circulo mais próximo de interações: sua família, seus amigos... Porém com acréscimo da especificidade de sua própria condição de pessoa portadora de deficiência. Mas uma vez o leque desdobra-se, pois somada a incerteza do jovem e a sua expectativa, há uma expectativa mais ampla que é costumeira de família e amigos: a social. (AMARAL, 1994, p. 50).
      Estamos discutindo a situação da pessoa com Síndrome de Down em nossa sociedade. Neste contexto, não poderíamos deixar de citar o processo pelo qual esses jovens devem passar para chegarem efetivamente capacitados no mercado de trabalho. A medidas que fomos nos interando, tivemos a oportunidade de observar e fazer a ressalva que é premente a criação de espaço que visem à formação dos jovens com Síndrome de Down em relação a sua capacidade e função social (II Congresso Brasileiro e I Encontro Latino-Americano sobre Síndrome de Down, 1997, p. 325).
      Sabe-se que é enorme parte da população brasileira não tem acesso à preparação profissionalizante, e assim só lhe resta vender sua força física ao mercado de produção. Força física, em geral, não é condição encontrada na pessoa portadora de deficiência. Um país cronicamente em crise econômica gera alta competitividade no mercado de trabalho. Vence o mais forte que raramente são pessoas deficientes. (AMARAL, 1994, p. 51).
      Afinal, sabemos que as escolas regulares, infelizmente, ainda estão em processo de "adaptação" à inclusão, não estando suficientemente preparadas para trabalhar devidamente com as crianças com Síndrome de Down. Enquanto as escolas que tem esse preparo, são poucas e "mesmo assim cumprem com propostas mais associadas à formação escolar acadêmica básica" (II Congresso Brasileiro e I Encontro Latino-Americano sobre Síndrome de Down, 1997, p. 235), e nem sempre a população que nela necessita tem condições de acesso.
      Desta forma, o processo educacional deve assumir uma familiaridade com a teoria e a pratica do trabalho, embora isso, nem sempre deva conduzir necessariamente a uma profissionalização, mais proporciona ao aluno o conhecimento das tarefas existente no sistema produtivo, tendo assim, oportunidades de demonstrar suas possibilidades e interesses em realizá-las. (II Congresso Brasileiro e I Encontro Latino-americano sobre Síndrome de Down, 1997, p. 326).
      O mesmo deve acontecer, desde o inicio na escolarização das pessoas com deficiência mental, que devem envolver-se em atividades que propiciem experiências profissionalizantes, visando aptidões e condições de trabalhar.
      Os jovens que conseguem concluir a formação acadêmica básica tem a sensação de que seu espaço acabou, pois não vêem caminhos para seguir em frente. "ficam sem perspectiva de continuidade, sem espaços para colocar em ação as suas possibilidades", (II Congresso Brasileiro e I Encontro Latino-americano sobre Síndrome de Down, 1997, p. 325). Possibilidades, quais seriam? Como foram identificados? Quem as identificou, a família, a escola, o próprio individuo? Alguém iniciou o processo de desenvolvimento destas?
      Aos jovens com Síndrome de Down que foram premiados com o atendimento das questões levantadas e aos que não tiveram a mesma sorte, existem iniciativas "que absorvem populações com uma gama enorme e variada de dificuldades" e limitações em alguns casos, mais intensas do que das pessoas com Síndrome de Down podem apresentar. Essas iniciativas, dizem respeito às "oficinas abrigadas", as quais "o projeto se propõe a contribuir para preencher esta lacuna, desenvolvendo o auto conhecimento e as aptidões dos jovens dando condições de escolha profissional, de instrumentalização e acompanhamento do processo através de estágios supervisionados" (II Congresso Brasileiro e I Encontro Latino-americano sobre Síndrome de Down, 1997, p. 325). Desta forma, as oficinas apresentam a força de trabalho desses jovens às empresas, que irão conceder o espaço, pela credibilidade na capacidade que possuem e não por paternalismo, oportunizando-os a mostrar sua força de trabalho.
      Durante cerca de 30 anos, o caminho principal para a colocação profissional eram os centros de reabilitação profissional, onde geralmente havia um setor de orientação profissional. Este setor não só orientava e participava do processo de avaliação do potencial laborativo dos clientes que faziam reabilitação, como também acompanhava a fase de treinamento profissional e finalmente efetuava a colocação em emprego. Nesse mesmo período, foi também importante no esforço de colocação profissional a participação de escolas especiais, centros de habilitação, oficinas protegidas de trabalho e centro ou núcleos de profissionalização. (SASSAKI, 1997, p. 17).
      A partir da década de 80, passamos a contar com a ajuda dos centros de vida independente, que surgiram "oferecendo aos portadores de deficiência oportunidades de conquistar o poder de fazer escolhas e de tomar decisões a fim de melhor controlar as suas vidas" (SASSAKI, 1997, p. 72) tendo a auto-estima elevada e tornando-se cidadãos participativos e independentes.
      Vale destacar, que mesmos lentamente, estão surgindo em nosso país centros profissionalizantes destinados às pessoas com deficiência. Como exemplo, temos a APAE - Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais, que implantou em 1994 o C.P.T. - Cetro de Preparação para o Trabalho, que visa desenvolver potencialidades e revelar talentos que são incentivados e estimulados nas áreas: pedagógicas e de preparação para o trabalho além de vivencias e estágios no mercado de trabalho; a ADID - Associação para o Desenvolvimento do Down, que tem o objetivo de capacitar jovens com Síndrome de Down para o desenvolvimento de sua função social numa abordagem humanista e criativa, ampliando seus meios de atuação como cidadãos em atividade de cunho profissional e o CDD - Centro de Desenvolvimento de Down escola, que defende que o ensino profissionalizante deve começar o mais cedo possível e a prontidão do aluno deve estar ajustada para o êxito do programa.
      Instituições como estas, funcionam utilizando-se de programas como:
      " Programa de prontidão para o emprego - desenvolve padrões de desempenho que corresponde ao as exigências do ambiente de trabalho;
      " Programa de treinamento em assertividade - desenvolve nas pessoas introvertidas uma nova perspectiva, a expressar seu pensamentos, sentimentos, convicções e idéias;
      " Programa de treinamento para o trabalho - desenvolve conhecimentos e habilidades específicas além de propiciá-lo a prática de hábitos e atitudes que apreendem na teoria facilitando a interação social no mundo do trabalho;
      " Programa de emprego apoiado - Insere a pessoa com deficiência (mesmo as severas) na empresa e lhe fornecem um profissional que o apoiara individualmente no tempo necessário.
      Na Lei Federal 7.044/82, o aluno deixa de ser considerada simplesmente como "mão-de-obra" a ser absorvida pelas necessidades do mercado de trabalho, e passa a ser visto como um cidadão em formação, destinado a tornar-se o agente transformador do mundo em que vive (II Congresso Brasileiro e I Encontro Latino Americano sobre Síndrome de Down, 1997, p. 326).
      O mercado de trabalho vem sendo conquistado pelos jovens com deficiência através dessas oficinas e programas que almejam eliminar as barreiras do preconceito e abrir-lhes às portas da sociedade para que ocupa em seu espaço sentindo-se úteis em atividades como ensinaram uma profissão, enquanto suas reais aptidões e interesse são menos explorados, devido "as considerações praticas a respeito das oportunidades existentes". (II Congresso Brasileiro e I Encontro Latino-Americano sobre Síndrome de Down, 1997, p. 326).
      Não é qualquer escolha ocupacional que será capaz de garantir esses aspectos, mas uma escolha que ofereça ao individuo satisfação pessoal e oportunidade de desenvolver tarefas que estejam de acordo com seus interesses, aptidões e possibilidades. É fundamental para que alguém se profissionalize, que saiba se comunicar, entender o que lhe é comunicado, utilizar conhecimentos básicos da vida cotidiana, que seja capaz de aprender e fazer uso das novas aprendizagens não se limitando a um conhecimento empacotando, memorizado, informativo e adestrador, mas que tenham desenvolvidas as suas capacidades de tomar decisões. (SPENCER, 1983 apud II Congresso Brasileiro e I Encontro Latino-Americano sobre Síndrome de Down, 1997, p. 326).
      Hoje, graças aos familiares, as associações criadas por eles aos profissionais de educação e saúde e demais instituições especializadas que demonstram interesses empenhando-se na colaboração no desenvolvimento das pessoas com deficiência e na divulgação de sua potencialidade, visando abrir-lhes espaço, estes jovens possuem um perfil como candidatos aptos a concorrerem as vagas de emprego. Este perfil mais completo apresentado por Sassaki, (1997), referem-se a escolarização (inclusive com nível superior), autonomia (com ou sem diapositivos tecnológicos), ao aumento da independência (uso do poder pessoal para tomar decisões), a politização (com consciência dos seus direitos e deveres), a informação (sobre a vida social em geral), a sua preparação psicossocial (dos relacionamentos do trabalho) a socialização (estando mais expostas a experiência de grupo formais e informais), a capacitação profissional (em função especificas) e as pessoas de deficiência severa (física, mental, aditiva, visual ou múltipla) que estão superando suas dificuldades e conquistando seu espaço profissional.
      Podemos contatar ao adentrar em certas instituições e comercio, ao ligar a televisão, por exemplo, que nos gradativamente os esforços das pessoas com deficiência de seus familiares interessados pela causa, estão surtindo efeito e ampliando os esforços e as áreas de trabalho que podem ser: de emprego competitivo - por três diferentes vias: colocação ou auto colocação em empregos comuns, programas de emprego apoiando e projeto de reabilitação baseada na comunidade; em escritório doméstico computadorizado (EDC), como: empregado empresário que pode monitorar empresa a distância, via computador e trabalhando na própria, que foi instalada na sua residência; em microempresa que não UEDC podendo ser própria ou do próprio domicílio, trabalho autônomo, individual ou coletivo; um trabalho semicompetitivo - por três vias diferentes: projeto de reabilitação baseada na comunidade, oficina protegida e iniciativa própria; em trabalho protegido pelas vias de: oficina protegida de trabalho, oficina ocupacional e domiciliar; e finalizando um trabalho rural que possibilita quatro vias: iniciativa própria ou familiar projeto de reabilitação baseado na comunidade propriedade agropecuárias particulares e programas governamentais no interior.
      Dessa forma o novo candidato poderá analisar junto com suas familiares ou com o programa ao qual esta inserida qual das áreas e funções oportunizadas melhor se enquadra a suas habilidades e lhe proporciona satisfação. 4 Conclusão REFERÊNCIAS AMARAL, Lígia Assumpção. Pensar a Diferença/ Deficiência. Brasília: CORDE, 1994. BRASIL, FEF/MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC, 1998. BRASIL, Lei 9394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da Republica Federativa do Brasil, Brasília: MEC, 1996. BRASIL, Plano Nacional de Educação Especial (PNEE), Brasília: MEC, 1999. CARRARO, L.F. A Criança de Classe Especial: Percepção dos Autores Sociais Envolvidos. In: Anais do 2º Congresso Brasileiro e 1º Encontro Latino Americano Sobre Síndrome de Down. Brasília: MEC, 1997. COLL, César et al. (orgs.). Desenvolvimento Psicológico e Educação: necessidades educativas especiais e aprendizagem escolar. Trad. Marcos A. G. Domingues. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. COLL, César; PALACIOS, Jesus; MARCHESI, Álvaro (orgs.). Desenvolvimento psicológico e educação: Psicologia da Educação (vol.3) Porto Alegre: ArtMed, 1995. DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. Sobre princípios políticos e práticas em Educação Especial. Conferencia Mundial de Educação Especial: Jun. 1994. GALINDO, George Rodrigo Bandeira. Tratados Internacionais de Direitos Humanos e Constituição Brasileira. Belo Horizonte: Del Rey, 2002. GLAT, Rosana. Somos iguais a você. São Paulo: Agir, 1989. HOUAISS, ANTÔNIO. Enciclopédia e Dicionário. São Paulo: Delta, 1998. LEFREVRE, Beatriz H. Mongolismo orientação para famílias. São Paulo: Almed, 1985. MANTOAN, Maria Teresa Egler. Compreendendo a deficiência mental. São Paulo: Scipione, 1997. PESSOTTI, I. Deficiência Mental: da superstição à ciência. São Paulo: Queiroz, 1984. SASSAKI, Romeu Kazumi. A inserção escolar total sob o paradigma da inclusão. Reações de educadores da rede municipal de ensino da DREM-10 à palestra de. São Paulo, set. 1998. ______. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 1997. WERNECk, Cláudia. Muito prazer, eu existo. 4. ed. Rio de janeiro: WVA, 1995.