ANNA CAROLINA FLORÊNCIO DA ROCHA
O ESTRESSE NO AMBIENTE DE TRABALHO
Monografia apresentada como pré-requisito de conclusão do curso de
Pedagogia com habilitação em Empresarial ao Centro de Ciências Humanas- CCH, da
faculdade de Educação da Universidade Veiga de Almeida.
Orientadora: Professora Penélope Duarte dos Santos.
RIO DE
JANEIRO – 2005
_______________________________________________
Professora Orientadora:
Penélope Duarte dos Santos
Mestre UVA
________________________________________
Professora convidada: Regina
Maria Abdelnur
Mestre UVA
_________________________________________
Professor convidado: José
Luiz Bello
Mestre UVA

À Deus,
aos meus pais e tias,
pelo apoio e estímulo
que durante estes três
anos me dedicaram,
sem os quais não seria
possível concluir esta etapa.
AGRADECIMENTOS
Após o término de mais uma etapa, fica a satisfação de poder
Ter conhecido muitas pessoas, que tornaram o dia a dia mais agradável.
Aos professores da
Universidade Veiga de Almeida, pelas sugestões valiosas durante a fase de
qualificação, que muito contribuíram para a minha formação.
Aos colegas de classe, pelo apoio incondicional e, sobretudo
pela paciência e incentivo nos momentos difíceis.
A professora Penélope
Duarte dos Santos, pela orientação da monografia, pelo apoio, compreensão e
incentivo deste trabalho.
Aos professores Bello e
Erotides, por terem aceitado fazer parte da banca avaliadora, onde a presença
de vocês é muito importante para mim.
Se o desejo de alcançar a meta estiver vigorosamente
vivo dentro de nós, não nos faltarão forças para encontrar os meios de
alcançá-la e traduzi-la em atos de nossos projetos.”
(Albert
Eintein, cientista)
Esta monografia procura investigar
alguns comportamentos relacionados ao sofrimento psíquico do trabalhador e a
possibilidade de atuação do pedagogo empresarial para amenizar ou prevenir tais
danos à sua saúde. Dada a extensa e significativa sintomatologia existente,
optamos em discutir o Stress e a Síndrome de Burnout.
This
monograph looks for to investigate some behaviors related to the psychic
suffering of the worker and the possibility of performance of. pedagogo
enterprise for amenizarou to previnir such damages to its health. Given the
extensive and significant existing sintomatologia, we opt in arguing the Stress
and the Syndrome of Burnout
SUMÁRIO
2 O
Processo de Trabalho e a Saúde do Trabalhador
3
O Sofrimento Psíquico
3.1 O Stress
3.2 A Síndrome de Burnout
4 A
Atuação do Pedagogo Empresarial e a Qualidade de vida do Trabalhador
5
Considerações Finais
Referência
1 INTRODUÇÃO
No mundo
globalizado cada vez mais se observa o sofrimento psíquico dos trabalhadores.
Tal fato parece estar relacionado a uma carga excessiva de trabalho mental e de
tarefas solicitadas ao profissional nas diversas áreas.
Por outro lado, o mundo da
informática parece sugerir ao homem uma necessidade de rapidamente produzir
mais e em algumas situações competindo com a máquina. Neste contexto se insere
este trabalho monográfico. Procuramos investigar e desenvolver os motivos que
levam o trabalhador a apresentar os sintomas do Estresse e da Síndrome de
Burnout e verificando de que forma o pedagogo empresarial pode com a sua
atividade profissional amenizar os possíveis danos e sofrimento gerado nos
trabalhadores.
Para desenvolver a nossa pesquisa
utilizamos a metodologia da revisão bibliográfica, buscando em teorias da área
da saúde do trabalhador e da área de educação subsídio para a execução da nossa
tarefa. Desta forma, entre os autores utilizados na pesquisa temos: Leny Satto
e o seu conceito de penosidade, França e Rodrigues e a definição de estresse e
a prevenção da Síndrome de Burnout e Bonz com a importância das competências
que formam o pedagogo empresarial, onde estas competências irão contribuir não
só para um bom desempenho no trabalho, resultando na melhoria da qualidade de
vida do trabalhador.
Assim, no capítulo 1, procuramos
situar ressaltando as mudanças constantes que estamos vivenciando, na sociedade
contemporânea as transformações que o processo de trabalho vem apresentando e
desta forma interferindo na saúde do trabalhador.
No capítulo 2, procuramos entender
de que forma o profissional submetido a uma pressão e solicitação constante
pode apresentar o sofrimento psíquico, principalmente quando se percebe
“impotente” por não conseguir manter o ritmo e desempenho esperado, na sua atividade
profissional. Este sofrimento poderá levá-lo ao estresse, e em algumas
situações desenvolvendo a Síndrome de Burnout, caracterizada por um tipo de
estresse ocupacional crônico, onde o indivíduo tem o desgaste profissional,
resultando na perda do interesse pelo trabalho.
Por último, situamos o papel do
pedagogo na empresa, sua função e importância e sugerir algumas estratégias de
atuação que possa resultar na melhoria da qualidade de vida dos funcionários.
2 O PROCESSO DE TRABALHO E A
SAÚDE DO TRABALHADOR
“As
traumáticas mudanças pelas quais está passando este país é que a busca da
eficiência a todo custo e o excesso de competição entre as empresas estão
moendo as pessoas. Do ponto de vista humano é cruel. Do ponto de vista
econômico é contraproducente”. (LUTTWAK, 1995, p. 46).
Ao longo dos anos o processo de
trabalho tem sofrido sucessivas mudanças. Iniciando pela economia de
subsistência onde o homem produzia somente o que era necessário para o seu
próprio consumo e logo depois com os trabalhos artesanais que eram produzidos
manualmente e vendidos em uma escala menor, até chegar ao mercado capitalista
que vivemos em nossos tempos atuais.
Com a expansão das cidades, milhares
de pessoas abandonaram a vida do campo, e vieram para as cidades urbanas em
busca de melhores condições de vida através de sua inserção no mercado de
trabalho.
No início do século XX, Henry Ford,
irá propor a aplicação de uma teoria voltada para a eficiência e controle da
produção do trabalhador. Este período é marcado pela produção de carros em
grande escala e pelo consumo desenfreado. Este modelo organizacional irá perdurar
até a década de 70, quando o mercado de trabalho apresentar mudanças com o
aumento da competição, queda nos lucros da empresa, mão-de-obra excedente gerando
desemprego, principalmente devido a implantação de novas tecnologias no setor
industrial.
As
mudanças, a partir daí, irão aparecer não só na área econômica e social, mas
também irão refletir na saúde do trabalhador.
Segundo Mattos et alli (1994, p. 43)
As empresas buscam
cada vez mais a competitividade, conseqüência da Globalização, a Liberalização
(com a economia cada vez mais livre da intervenção do Estado) e a Excelência
(estar sempre a frente de seus concorrentes, com inovações e níveis de qualidade
de processos, produtos e serviços acima dos demais).
O modelo capitalista
organiza o sistema de produção de maneira a restringir a iniciativa do
trabalhador, no que se refere ao seu processo de trabalho, organização e em
algumas situações o próprio ambiente de trabalho.
Leny Satto (1994, p. 169)
irá propor o conceito de penosidade relacionado a
falta de controle no processo de trabalho levando o trabalhador ao sofrimento,
não sendo permitido questionar as alterações feitas no processo de trabalho.
Para
que o trabalhador tenha um controle sobre suas condições de saúde é necessário
que suas necessidades básicas sejam atendidas. Tanto no trabalho, quanto em
função do que este mesmo trabalho pode oferecer a sua vida privada. Assim, o
trabalho deve proporcionar uma alimentação saudável, moradia adequada, meios de
transportes, saúde e educação eficientes, direitos básicos à condição humana.
A saúde do trabalhador fica
comprometida, quando este começa a exercer um papel de multifuncionalidade
dentro da empresa gerando a fadiga e o desgaste profissional. Estes sintomas
alienam o trabalhador do processo produtivo a ponto de gerar danos
psicológicos.
Para Sivieri (1994; p.82)
A moderna
organização capitalista do processo de trabalho iniciou a era das doenças provocadas
pela grande exigência de adaptação do homem ao trabalho, um reflexo do esforço
que o trabalhador emprega para adaptar-se a esta situação anormal.
Essas
exigências afetam o ritmo físico, psíquico e psicológico do indivíduo gerando
as doenças de trabalho, pois são cobrados excessivamente, sempre no intuito de
superar a capacidade de adaptação profissional.
Mattos et alli (1994,
p.45) ressalta que atualmente o mercado de trabalho sofre mudanças radicais,
reduzindo o emprego regular em favor do trabalho temporário ou terceirizado.
Assim, atualmente as relações de trabalho incluem: empregados, em tempos
parciais, empregados casuais, pessoal com contrato por tempo determinado,
temporários, etc.
Desta
forma, as condições de trabalho estão cada vez mais precárias devido a
terceirização dos setores de trabalho, atingindo principalmente o trabalhador
que recebe salários baixos, comprometendo a sua saúde podendo correr risco de
sofrer acidentes ou contrair alguma doença no próprio local de trabalho.
No entanto, podemos constatar que a
carga excessiva de trabalho, o nível de instabilidade no emprego e a competição
exagerada no ambiente de trabalho, irá provocar um aumento de estresse no
trabalhador.
3 O SOFRIMENTO PSÍQUICO
Ao longo da história do mundo do trabalho
observam-se mudanças significativas, que se acentuaram no século XX,
principalmente com as discussões, pesquisas, avanço de novas tecnologias,
solicitando e exigindo dos trabalhadores uma adaptação e desempenho seu sempre
compatível com as suas possibilidades.
Hoje,
é possível observar que as cobranças sobre o trabalhador estão crescendo cada
vez mais, exigindo-lhe a máxima competência. No entanto, não há reconhecimento
nem valorização de seu trabalho.
O
sofrimento psíquico é gerado no trabalhador devido à pressão que é submetido
diariamente em busca de lucros, competição, eficácia e da manutenção do
emprego. O trabalhador se sente apavorado por não conseguir manter sua energia
física e mental adequada para seu desempenho no trabalho, e esse pavor é uma
forma em que se manifesta o sofrimento psíquico.
O
sofrimento psíquico do profissional é percebido com uma certa clareza, quando o
trabalho deixa de ser motivo de prazer, bem estar, satisfação, sentir-se útil,
passando a ser lugar de dor, sofrimento e cansaço.
A
carga psíquica aumenta quando o trabalhador relata seu trabalho, expondo que
não é valorizado, trabalhando de forma mecânica onde ocorre o desgaste tanto
físico como emocional, provocando sensações de medo, angústias etc. As
condições de trabalho inadequadas, baixa remuneração, prejudicam o bem-estar e
a satisfação no ambiente de trabalho.
Os
sintomas psíquicos, nomeados como “mentais” e “emocionais”, estão relacionados
à diminuição da concentração, memória, confusão, ansiedade, depressão, frustração,
medo e impaciência.
3.1 O ESTRESSE
O
conceito de estresse surgiu nos anos 30, graças a Hans Selye, endocrinólogo
canadense de origem austríaca.
Segundo Selye:
o estresse é um processo vital e fundamental onde pode
ser dividido em dois tipos ou seja, quando passamos por mudanças boas, temos o
estresse positivo e quando atravessamos alguma fase negativa, estamos
vivenciando o estresse negativo.
Com
o decorrer dos anos, o ambiente de trabalho vem se modificando e acompanhando o
avanço das tecnologias ultrapassando cada vez mais o nível de capacidade de
adaptação dos trabalhadores. Os profissionais vivem hoje sob contínua pressão,
sendo o tempo todo cobrado não só no trabalho como também na vida de uma
maneira geral. O estresse ambiental pode exercer grande influência na maneira
como o indivíduo se comporta socialmente, como exemplo, pode torná-lo
agressivo.
O
desgaste profissional, que as pessoas estão submetidas diariamente, poderá gerar
algum tipo de doença. Os modelos expostos são responsáveis pelos seguintes
fatores: agentes estressantes de natureza diversas (física, biológica,
mecânica, social, etc.), como conjunto de características pessoais temos (tipos
de personalidade, modos de reação ao estresse etc.), um conjunto de
conseqüências relacionados à saúde do indivíduo (doenças cardiovasculares,
perturbações psicológicas etc.) e da organização (absenteísmo, acidentes,
produtividade, performance etc.).
Posen
(1995) afirma que:
os sintomas físicos do estresse mais comuns são:
fadiga, dores de cabeça, insônia, dores no corpo, palpitações, alterações
intestinais, náusea, tremores e resfriados constantes.
Outros
sintomas são apresentados através do pensamento que podem ser representados de
forma compulsiva e obsessiva, levando em consideração a angústia e a
sensibilidade emocional, tornando o sujeito agressivo e violento. No entanto, os
fatores que geram os sintomas depressivos podem estar relacionados ao estresse.
Os fatores são: ruído, alterações do sono, sobrecarga, falta de estímulos,
mudanças determinadas pela empresa e mudanças devido a novas tecnologias.
O ruído excessivo pode levar ao
estresse, provocando irritações, reduzindo o poder de concentração,
principalmente nas atividades que apresentam um certo grau de complexidade, o
que afetará o desempenho do indivíduo, levando a fadiga física. Podendo também
alterar suas funções fisiológicas, como o sistema cardiovascular.
Ocorre
através dos trabalhos que são realizados em turnos alternados. Fazendo com que aumente
o desgaste do trabalhador, afetando seu desempenho, pois a sensação de cansaço
e sono é maior quando estão acordados, alternando o Ciclo Arcodiano, provocando
reações no corpo, fazendo alterações tanto na vida familiar e social do
sujeito. Vale ressaltar que o bruxismo e o sonambulismo também estão ligados ao
distúrbio do sono, devido ao estresse que sofrem no trabalho.
A
sobrecarga de tarefas no trabalho é considerada como um dos motivos que leva ao
estresse no ambiente de trabalho. Isso ocorre devido as exigências que são
impostas no ambiente e que sempre ultrapassam nosso limite de capacidade de
adaptação. Os quatros fatores que resultam na sobrecarga no trabalho são:
1. urgência do tempo;
2. responsabilidade excessiva;
3. falta de apoio;
4. expectativas contínuas de nós mesmos
e daqueles que estão a nossa volta
A falta de estímulos no trabalho
poderá ocorrer quando as tarefas se tornam repetitivas, não tendo um certo grau
de importância, resultando em um profissional altamente estressado e
desmotivado com o seu trabalho. Com relação as doenças, o profissional poderá
sofrer ataques cardíacos.
Esse
tipo de mudança pode ser feita pela chefia ou devido à nova direção da empresa,
isto é, por causa de alguma aquisição da empresa. Geralmente esse tipo de
mudança gera estresse e insegurança.
No
entanto, o profissional que sofre com as mudanças da empresa, passa por
momentos de ansiedade afinal, “teme” que seu setor seja “desmanchado”. É importante
constatar que mesmo que isso aconteça fazendo com que o trabalhador perca a sua
posição, ele continuará sendo o mesmo profissional, onde seus conhecimentos
continuarão intactos e a empresa poderá aproveitá-lo da melhor forma possível,
na Organização.
Com
as conseqüentes inovações tecnológicas, aliadas a velocidade das mudanças no
processo produtivo, fazendo com que as pessoas desenvolvam competências e
habilidades. Dessa forma, as pessoas são solicitadas a se adaptarem as novas
exigências impostas no mercado de trabalho.
Dessa
forma sofrerão mais com esse tipo de mudança, as pessoas que estejam passando por
uma certa instabilidade afetiva, que apresentam características de insegurança,
ansiedade e indivíduos que não conseguem se adaptar com as novas tecnologias.
Segundo
Bernick (1997) “qualquer mudança de vida, boa ou ruim, pode ser considerada
como um fator que leva ao estresse.”
Antigamente
o setor industrial era tido como alto índice de estresse, onde se tinha
adoecimento no trabalho. Hoje, estudos voltados nessa área mostram que
profissionais ligados a educação, a saúde, executivos e profissionais liberais
com características no aspecto organizacional do trabalho e com elevada
capacidade de autogerenciamento de suas carreiras.
Sendo
assim é possível se observar que os fatores que geram os riscos à saúde e ao
sofrimento psíquico estão crescendo cada vez mais devido às exigências que são
impostas ao profissional, que muitas vezes ultrapassam sua capacidade de
adaptação.
Outro
fator que pode ser considerado estressante é a perda do emprego, pois gera
dificuldades financeiras, refletindo na identidade social do indivíduo. Afinal,
o trabalho satisfaz tornando o sujeito importante e reconhecido socialmente.Com
o desemprego, a sua identidade pessoal e a sua auto - estima também são
abaladas.
A
ausência do trabalho pode estar associada à queda do nível da qualidade de
vida, que como conseqüência terá a saúde abalada. Esses fatores resultarão no
sofrimento mental, ficando mais frágil, se afastando do grupo social de lazer.
São manifestados comportamentos negativos como a agressão, a rispidez e a
apatia.
Além
da perda do emprego, a aposentadoria também está relacionada ao tédio, a
solidão e a e a inutilidade provocando esses fatores que são altamente
estressantes. No entanto, o indivíduo perdeu o seu espaço no sistema produtivo,
sendo necessário uma recolocação e reorganização, na sua vida e no setor
profissional.
Segundo
França e Rodrigues (1997),
pessoas que apresentam um elevado nível de ansiedade
dentro de si, se “acostumaram” a lidar com o estresse no trabalho, usando este
como um meio de descarga e tensão sendo chamados de workaholics, ou seja,
“viciados no trabalho”. Estes profissionais têm uma enorme dificuldade de
desfrutar de seu tempo livre, seja na família, no lazer ou até mesmo no seu
convívio social.
Este
tipo de profissional é muito valorizado no ambiente empresarial e pela
sociedade tecnológica, pois são pessoas que tem um rendimento profissional bem
elevado. Sendo assim, o estresse passou a ser muito importante no nível de
tensão organizacional e pessoal, servindo como qualidade de vida dos
funcionários, produtos, serviços e resultados.
3.2 A
SÍNDROME DE BURNOUT
O Burnout surgiu em 1974.
Quem aplicou este termo foi o psicólogo Fregenbauer, que constatou esta Síndrome
em um de seus pacientes que trazia consigo energias negativas, impotência
relacionado ao desgaste profissional.
O
termo Burnout é uma composição de burn (queimar) e out (fora), ou seja,
traduzindo para o português significa “perda de energia” ou “queimar” para
fora, fazendo a pessoa adquirir esse tipo de estresse tendo reações físicas e
emocionais, passando a apresentar um tipo de comportamento agressivo.
Apesar
de ser bastante semelhante ao estresse, o Burnout não deve ser confundido com o
mesmo. O Burnout é muito mais perigoso para a saúde. No estresse existem
maneiras de controlá-lo. Como exemplo, um trabalhador estressado quando tira
férias volta novo para o trabalho, mas isso não acontece com um trabalhador que
esteja sofrendo a Síndrome de Burnout. Assim que ele retorna ao trabalho os
problemas voltam a surgir novamente.
Definida
como uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato direto,
excessivo devido as longas jornadas de trabalho, faz o indivíduo perder a sua
relação com o trabalho, de forma que as coisas deixem de ter importância e que
qualquer esforço que faça será inútil.
Qualquer
trabalhador pode apresentar o Burnout, porém vale ressaltar que essa Síndrome
aparece mais em profissionais que trabalham em atividades onde se tenha
responsabilidade pelo outro, seja por sua vida ou por seu desenvolvimento. Essa
Síndrome aparece em profissionais que tenham contato interpessoal mais
exigente, como é o caso dos profissionais que estão ligados na área da educação
e saúde, carcereiros, atendentes públicos, funcionários que dentro da
Organização exercem cargos de gerente, diretores, chefias e telemarketing.
O
conceito de Burnout pode ser dividido em três dimensões que são:
1. Exaustão emocional - é a situação em
que o trabalhador percebe que suas energias estão esgotadas e que não podem dar
mais de si mesmo. Surge o aparecimento do cansaço, fica propenso a sofrer
acidentes, ansiedade, abuso de álcool, cigarros e outras drogas ilícitas.
2. Despersonalização - desenvolvimento
de imagens negativas de si mesmo, junto com um certo cinismo e ironia com as
pessoas do seu ambiente de trabalho, com clientes e aparente perda da
sensibilidade afetiva.
3. Falta de envolvimento pessoal no
trabalho - diminuição da realização afetando a eficiência e a habilidade para a
concretização das tarefas, prejudicando seu desempenho profissional.
O
Burnout está associado entre o que o trabalhador dá, ou seja, tudo aquilo que
investe no trabalho, e o que ele recebe, isto é, reconhecimento de seus
supervisores, de sua equipe de trabalho. Muitas vezes, o profissional dá tudo
de si e não é valorizado, fazendo com que fique frustrado, tendo a sensação de
inutilidade para com o trabalho.
Para Farber (1991),
burnout é uma síndrome do trabalho, que se origina da
discrepância da percepção individual entre esforço e conseqüência, percepção
esta influenciada por fatores individuais, organizacionais e sociais.
Um
profissional que entra em Burnout, assume um comportamento de frieza com seus
clientes e com quem trabalha. As relações pessoais são cortadas, passam a agir
como se estivessem em contato com objetos, também ocorre a perda da
sensibilidade afetiva, deixando de se responsabilizar pelos problemas e dificuldades
das pessoas que cuidam.
Análise
feita mostra que a violência, a falta de segurança no emprego, burocracia no
processo de trabalho, falta de autonomia, baixos salários, tendência a se
isolar das pessoas que trabalham, falta de apoio, também são fatores que estão
relacionados ao Burnout.
A
falta de perspectiva com relação a ascensão na carreira profissional, pode
gerar sentimentos de ansiedade e frustração constante no cotidiano do trabalho.
Quando o profissional está afetado pela Síndrome, as idéias pessimistas, o
medo, predominam com uma certa influência no local de trabalho.
3.2.1 QUADRO
CLÍNICO
O quadro clínico de Burnout apresenta
os seguintes sintomas:
. Esgotamento emocional, perda da
sensibilidade afetiva;
. Perda fácil do senso de humor, perda
de memória, cansaço permanente, dificuldade para levantar-se pela manhã, em
algumas pacientes, ocorre a suspensão da menstruação e dores gastrointestinais;
. Despersonalização que resulta com
atitudes negativas que a pessoa faz da sua própria imagem, relação de cinismo,
e ironia para com as pessoas na Organização;
. Manifestações emocionais relacionadas
com a falta de realização emocional, esgotamento profissional, sentimento de
frustração, baixa auto – estima, desmotivação para com o trabalho;
. Reações físicas: fadiga, problemas de
hipertensão arterial, ataques cardíacos, perda de peso, dores de cabeça, dores
nas costas etc.;
. Reações comportamentais: consumo
acelerado de cigarros, álcool, café e drogas ilícitas. Apresenta comportamentos
irritadiços e violentos, distanciamento afetivo dos clientes e dos colegas de
trabalho, perda da concentração, elevada taxa de absenteísmo ocupacional e
constantes conflitos interpessoais tanto no trabalho como no próprio ambiente
familiar.
França
e Rodrigues (1997) recomenda como forma de prevenção do Burnout, modificar com
uma certa freqüência a atividade de rotina, evitando a monotonia, reduzindo o
excesso de longas jornadas de trabalho, melhorar na qualidade das relações
sociais, das condições físicas no trabalho e investir no aperfeiçoamento
profissional e pessoal dos trabalhadores.
Pesquisas informam que as
mulheres têm mais chance do que os homens de adquirir a Síndrome de Burnout
devido a sua dupla jornada de trabalho que administra tanto as tarefas do
emprego, como as tarefas domiciliares.
É
importante enfatizar que quando o trabalhador é diagnosticado com Burnout é
necessário que este seja afastado do emprego e que , durante este período,
continue recebendo todas as sua garantias.
4 A ATUAÇÃO DO PEDAGOGO EMPRESARIAL E
A QUALIDADE DE VIDA DO TRABALHADOR
“Um dos propósitos da Pedagogia na Empresa é a de qualificar todo o
pessoal da organização nas áreas administrativas, operacional, gerencial,
elevando a qualidade e produtividade organizacional”.
(FERREIRA,
1995, p. 8)
De acordo com a Lei 6297/75, o pedagogo empresarial atua na
área de desenvolvimento de Recursos Humanos enfatizando o treinamento dos
funcionários, auxiliando na formação destes, com o objetivo de atender aos
Propósitos da Organização.
Assim, na sua atuação
na empresa deve buscar modificar o comportamento dos trabalhadores de modo que
estes melhorem tanto suas qualidades no desempenho profissional, como no
desempenho pessoal.
De acordo com
(FERREIRA, 1995, p.8)
Assim, em sua busca pela qualidade
e produtividade no trabalho deve, o pedagogo empresarial, ter como perspectiva
transmitir conhecimentos, identificar as habilidades e competências realizando
um levantamento das necessidades de Treinamento.
A sociedade contemporânea apresenta modificações
significativas em todos os aspectos do conhecimento. E o mundo do trabalho
sofre com as sucessivas modificações nas suas relações, tornando-se cada vez
mais exigente, em decorrência de certos fatores como: a globalização, contínua competitividade,
a demanda de profissionais criativos e eficazes.
Neste contexto, se
insere boa parte das preocupações do pedagogo empresarial, cabe a ele, com o
objetivo de estimular a forma contínua e atualizada dos profissionais da
empresa, desenvolver técnicas de competência e habilidades essenciais para uma
boa qualificação profissional.
Para Bonz (1981, p. 18)
as competências se referem a:
1. Competência na
atuação - Consiste em utilizar ferramentas de aprendizagem, dando a
possibilidade do trabalhador por em prática os conhecimentos que foram
adquiridos.
2. Competência técnica
– são utilizados recursos como debates, dando a oportunidade do trabalhador
elaborar e apresentar projetos individuais.
3. Competência para a
auto-aprendizagem – utiliza técnicas e recursos que auxiliam na forma de como
aprender a trabalhar.
4. Competência social
- estimula a formação de trabalhos em equipes para a concretização das tarefas.
Enfatizando a troca de experiências possibilitando o enriquecimento do
trabalho.
Desta forma ao atuar
na empresa, precisa identificar claramente quais serão os métodos utilizados,
evitando o desperdício de recursos que não serão úteis para a empresa. Ao
elaborar um treinamento, os recursos são estabelecidos de forma que sejam
envolvidas tanto a competência técnica como a competência social. Segundo
Chiavenato (1989) levando-se em conta algumas necessidades como:
. Modificar a rotina de trabalho, de modo que não
prejudique as ações estratégicas;
. Elaboração de objetivos claros e precisos para as
ações mais importantes;
. Buscar ações que tenham como objetivo a participação
de todos.
O aperfeiçoamento
contínuo do indivíduo deve ser feito na perspectiva do desenvolvimento, onde o
pedagogo apóia o aperfeiçoamento individual dos indivíduos. Sendo assim, a
criatividade exerce um grande papel na Organização.
De acordo com Chiavenato (1989)
a criatividade nas organizações pode ser desenvolvida através de
algumas ações como: encorajar e aceitar a mudança; impulsionar novas idéias;
proporcionar maior interação; tolerar os erros; definir objetivos claros e
liberdade para alcançá-los, oferecendo o reconhecimento.
Para
tanto, é necessário que se estabeleça uma “harmonia” entre os diferentes
departamentos organizacionais, respeitando os estímulos, as opiniões de cada
pessoa que compõe a equipe.
Como nos lembra
Chiavenato (1989)
o incentivo e a motivação, são
considerados excelentes fatores na promoção do bom desempenho dos funcionários,
principalmente se esse incentivo vier por parte da chefia, oferecendo estímulos
que irão melhorar o seu desempenho.
Cabe ao pedagogo verificar e realizar um levantamento das
necessidades com o objetivo de identificar se o profissional precisa ou não de
um treinamento. Suprindo, se for o caso, carências que o funcionário apresente,
possibilitando uma preparação profissional adequada, melhorando seu desempenho
e qualidade de vida da empresa.
Segundo Chiavenato, (1989)
na execução do treinamento alguns fatores são considerados como sendo,
a cooperação das chefias e coordenações da empresa, a qualidade e preparo dos
instrutores e perfil do aprendizes. Assim o treinamento resultará em uma
resposta lógica a um quadro de condições ambientais extremamente mutáveis e a
novos requisitos para a sobrevivência e crescimento organizacional.
Como se observa o pedagogo na empresa produz e difunde o
conhecimento, exercendo o seu papel de educador. Para atingir seus objetivos,
atendendo não só a empresa, mais o seu principal capital – o trabalhador deve
realizar uma observação criteriosa do comportamento dos seus profissionais.
Isto envolve não só aquilo que diz respeito diretamente a produtividade, mas
todos os fatores que contribuem para o sucesso e eficiência das metas
estabelecidas pela organização.
Neste contexto se
insere a preocupação deste trabalho. Diante do exposto até o momento com
relação à saúde do trabalhador e das respostas à ambientes hostis, considerando
que o pedagogo na empresa possa contribuir de maneira significativa para a
integração do trabalhador favorecendo um clima saudável na organização para a
preservação da saúde e bem estar do profissional. Saúde aqui entendida em uma
perspectiva global.
Segundo C. Dejours
(1985) “A saúde para cada homem,
mulher ou criança é ter meros de traços em cunho pessoal e original, em direção
ao bem estar físico, psíquico e social”.
Desta
forma, os comportamentos apresentados por outros profissionais tais como:
absenteísmo, aumento de acidentes de trabalho, desmotivação e queixas
constantes, que como já vimos, indicam a presença da Síndrome de Burnout e do Estresse
Ocupacional poderia ser precedidos e muito rapidamente identificados dentro das
Organizações.
Procurando identificar
os fatores ambientais e organizacionais que podem contribuir para esta
situação, encontramos: a falta de comunicação adequada, clima de intriga entre
os funcionários, longas jornadas de trabalho sem a adição de horas extras,
competição acirrada entre os próprios funcionários, falta de cooperação para
com a equipe, sobrecarga de tarefas e a pressão do tempo.
Segundo Teixeira
(2005)
em uma empresa de grande porte a
solução encontrada para a resolução do problema envolve a melhora dos canais de
comunicação, trazendo a maior eficiência para o trabalho, resolução dos
conflitos interpessoais, redução na carga horária de trabalho, adição de horas
extras e premiações como incentivo para os funcionários.
Desta forma, a empresa
obteve uma redução de 20% das doenças psicossomáticas no setor administrativo
(relacionado à gerência), e 18% no nível operacional. Gerando a queda do
absenteísmo, aumento da auto-estima, funcionários mais dispostos e motivados
com o seu trabalho, melhorando assim o ambiente de trabalho.
É importante mais uma
vez, ressaltar que a qualidade de vida é fundamental na sobrevivência das
empresas e essa qualidade pode ser alcançada através da remuneração adequada,
promoção do desenvolvimento social, melhoria nas condições de trabalho e a
oferta de oportunidades de crescimento dentro da organização.
Segundo Teixeira (2005) “algumas empresas investem na saúde de
seus funcionários possibilitando a prática de atividades físicas. Os benefícios
da atividade física para a saúde incluem”:
-
Redução do estresse;
-
Redução das doenças
cardiovasculares;
-
Melhora na auto-estima, tornando as
pessoas mais ativas e motivadas.
Estudos mostram que se todos os dias a pessoa praticar pelo
menos trinta minutos de exercício de forma contínua e acumulada, trará ótimos
resultados para a saúde.
Com os benefícios
psicossociais destacam-se:
. Diminuição da depressão;
. aumento da auto-estima;
. Alívio do estresse;
. Aumento do bem-estar;
. Redução do isolamento social.
Benefícios para a
Empresa:
-
Aumento da produtividade;
-
Redução do índice de absenteísmo;
-
Diminuição dos custos médicos;
-
Diminuição da rotatividade na
mão-de-obra;
-
Melhora da imagem dos funcionários.
As competências adquiridas pelo pedagogo, relacionadas nas
áreas: de atuação, técnica, auto-aprendizagem e social, terão como objetivo
oferecer uma preparação adequada ao trabalhador, de acordo com a sua respectiva
área profissional, podendo despertar as habilidades latentes do trabalhador,
melhorando a sua qualificação, o que certamente proporcionará um melhor
desempenho no trabalho. Trazendo benefícios para a sua saúde, tornando o
ambiente de trabalho mais agradável.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante
do trabalho apresentado, podemos observar que as mudanças que estão ocorrendo
no processo de trabalho estão afetando diretamente na vida do trabalhador
causando males a sua saúde.
As
exigências que o mercado de trabalho está impondo ao trabalhador estão em
algumas situações levando ao sofrimento psíquico. Alguns fatores foram
identificados tais como: o ruído, que é considerado um fator altamente
prejudicial, influenciando no seu comportamento tornando-o mais agressivo, a
fadiga incessante, falta de perspectivas, frustração, ansiedade, depressão,
medo, desmotivação com o trabalho, sobrecarga de tarefas, fazendo com que o
rendimento do trabalhador seja insuficiente, pelo fato deste não conseguir dar
conta de cumprir suas tarefas que são repetitivas.
Desta
forma, as cobranças constantes que ocorrem no ambiente de trabalho, faz com que
o trabalhador apresente o estresse quando seu desempenho profissional passa a
ser insuficiente, levando-o a insatisfação com a sua atividade. Podendo também
levar o profissional a adquirir a Síndrome de Burnout, onde ocorre a
desmotivação do trabalho, fazendo com que a pessoa que apresente esta Síndrome
queira “abandonar” seu trabalho.
Concluindo em relação a atuação do
pedagogo empresarial sendo este dotado de competências, tem como objetivo
usá-las de modo que possa identificar as habilidades dos trabalhadores,
elevando seu nível produtivo, melhorando sua capacitação e propiciando um
ambiente de trabalho estável e saudável.
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Para referência desta página:
ROCHA, Anna Carolina Florêncio da
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