DECROLY


E A ESCOLA PARA A VIDA


                                          Cristiane Valéria Furtado do Nascimento
                                          Márcia Andréa Soares de Moraes
                                          Alunas do 2o período do ano de 1998
                                          do curso de Pedagogia,
                                          das Faculdades Integradas Simonsen
                                          Rio de Janeiro - 1998




      Seu nome é Ovide Decroly, nasceu em 1871 e morreu em 1932.
      O valor de sua obra está no destaque que emprestou às condições do desenvolvimento infantil; a educação, segundo ele, não se constitui na preparação para a vida adulta; a criança deve viver os seus anos jovens e as dificuldades que surgirem em cada fase, para serem resolvidas no momento certo.
      As crianças para Decroly não podiam ser tratadas como armazenamento de conteúdos, eles só focalizavam o ensino sob um ângulo intelectual. Nas suas escolas ao invés de carteiras separadas, desde os pequeninos, observava-se que os alunos ficavam sempre em grupos. Por exemplo: no campo semeando legumes, de acordo com a estação do ano. Notava-se uma intensa atividade, janelas abertas ao sol, com materiais sempre em renovação. Sobre as mesas, plantas colhidas e fresquinhas, mapas geográficos com características das respectivas regiões.
      O método de Decroly, mais conhecido pelos centros de interesse, possuíam um destino especial, aos alunos das classes primárias; os conhecimentos e interesses infantis apareciam associados.
      O maior defeito dos programas é que eles se inspiram em mestres sábios em suas especialidades, mas totalmente incompetentes em matéria de psicologia infantil. Considerando que era fundamental dar a todas as crianças uma cultura geral idêntica, eles não se perguntaram se, dessa forma, seria conveniente às crianças.
      Para Decroly, a criança deve ser criança e não um adulto em potencial.
      Ele também transformou a maneira de aprender e ensinar, ajustando a psicologia da criança e em nenhum momento deixou de lado nada que a escola deve ensinar à criança.
      Os centros de interesse eram aplicados nas diferentes idades: dos três aos seis anos, no jardim de infância, e nos centros surgiram do contato com o meio.
      O programa de Decroly apresentava idéias associadas: conhecimento pela criança, as suas necessidades de alimentação, de defender-se contra perigos e diversos acidentes, de agir e trabalhar com solidariedade, de ter alegria de espírito. O conhecimento do meio viria para satisfazer as necessidades apontadas acima.
      Nos centros de interesse, a criança passava por três momentos: o da observação, o da associação e o da expressão.
      A série de elementos não era obrigatória. Era algo simples para a criança, como comer, daí surgia o estudo da alimentação, a origem e a classificação dos alimentos, os preços, quem os produz e onde, como são preparados. E, de acordo com a curiosidade das crianças e o desenvolvimento, surgirão noções de geografia, ciências, história, higiene, cálculo, redação e desenho. Diante dessa riqueza de possibilidades exploratórias, a duração do centro de interesse é muito flexível, podendo estender-se durante meses.
      No fim de um dia de trabalho com a pedagogia de Decroly, observamos grandes cadernos dispostos em cada classe sobre pranchetas. Cada aluno coloca o seu trabalho pessoal, documentado e organizado metodicamente as suas observações. Três atividades são aprofundadas, envolvendo a observação, a associação e a expressão.
      Para Decroly, a sala de aula está por toda parte, na cozinha, no jardim, no museu, no campo, na oficina, na fazenda, na loja, na excursão, nas viagens...
      A observação não ocorre em uma lição, em um momento particular da técnica educativa, mas deve ser considerada como uma atitude, chamando a atenção do aluno todo o tempo.
      A associação possibilita que o conhecimento adquirido por meio da observação seja compreendido em termos de tempo e de espaço.
      A expressão possibilitaria ao professor expressar aquilo que ele aprendeu, atenção da linguagem gráfica ou outra qualquer, integrando, assim, os diversos conhecimentos adquiridos.
      Decroly sempre se negou a escrever uma obra fundamental que retratasse as suas idéias educacionais, não considerava concluída a sua concepção educacional; receava também que, publicando as suas técnicas, elas se cristalizassem; antes de se preocupar com fórmulas rígidas, procurava apresentar princípios.
      Decroly pronunciou várias conferências, que foram resumidas num folheto, escrito em colaboração com Gerardo Boon.
      E na introdução desse trabalho, Decroly apresenta questões que são ainda atuais nos nossos dias e que nos são apresentados por Lourenço Filho; "Poderemos transformar, de vez, todas as escolas, como seria o seu desejo".
      A resposta de Decroly é bem positiva, chegando a propor medidas para que isso ocorra, como: classificação prevista dos alunos, formação de classes homogêneas, diminuição do efetivo das classes, modificação dos programas, distribuindo os assuntos de maneira diversa, partindo da própria criança, seus interesses e necessidades.


 


Texto reproduzido com autorização das alunas
Cristiane Valéria Furtado do Nascimento e Márcia Andréa Soares de Moraes



OUTRO SITE SOBRE DECROLY:

Grandes Mestres da Educação - Vera Zacharias, São Paulo