A PEDAGOGIA WALDORF


                                                    Teresa Cristina de Oliveira Emanuel(*)
                                                    Rio de Janeiro - 2002




        Monografia apresentada como pré-requisito de conclusão do curso Pedagogia, habilitação em Gestão Escolar, do Instituto de Ciências Humanas e Sociais, da Universidade Veiga de Almeida, orientada pelo Professor José Luiz Bello.

 


        (Texto publicado com autorização da autora.)
 



 


Agradecimentos

     Ao Professor José Luiz Bello que me proporcionou e me incentivou com este tema que estou estudando há mais de um ano.
     À Professora Tânia Marinho que me fez perceber a filosofia e incorporá-la à minha vida.
     À todos aqueles que trabalham com a Pedagogia Waldorf e que muito me ajudaram.
 



 


        "A natureza faz do homem um ser natural;
A sociedade faz dele um ser social,
Somente o homem é capaz de fazer de si um ser livre.
".
        (Rudolf Steiner)
 



 

SUMÁRIO

Introdução

1. Breve Biografia de Rudolf Steiner

2. Pensamento Científico de Goethe

3. Antroposofia

4. Princípios da Pedagogia Waldorf
   4.1 Pedagogia Waldorf no Brasil

5. A Escola Waldorf
   5.1 Jardim da Infância
   5.2 Ensino Fundamental
   5.3 Ensino Médio

Conclusão

Referências
 



 


Introdução

     Este trabalho pretende mostrar, de forma sintética, o que é a Pedagogia Waldorf, concebida em 1919, pouco divulgada e muito especulada.
     No início há uma referência ao fundador da Pedagogia Waldorf e da Antroposofia, Rudolf Steiner. A parte que se refere a sua paranormalidade foi colocada de modo sutil para que fosse preservada a sua memória e não levantadas questões preconceituosas por parte de leigos, em toda a sua trajetória.
     Em outro momento, o relato dos Princípios da Pedagogia Waldorf, mostra a seriedade com que é tratada a educação e a relação do homem com o espaço em que vive.
     O intuito real deste trabalho é se estudar a possibilidade de existirem várias Escolas Waldorf, que atendam às crianças carentes, proporcionando uma infância segura e protegida da violência do dia-a-dia, dando-lhes a oportunidade de serem cidadãos, partindo de uma infância com segurança e diversão, vivendo efetivamente a solidariedade e contribuindo para a qualidade de vida de todos.
 

Problema:

     A Pedagogia Waldorf é fundamental para redirecionar a educação e a relação humana no mundo atual.
 

Hipótese:

     As crianças que recebem educação através da Pedagogia Waldorf valorizam mais sua relação com o meio no mundo atual.
 


Objetivo:
     - propor um redirecionamento das relações humanas, com uma educação baseada na liberdade com responsabilidade.
 

Justificativa:
     Através deste trabalho percebi que as crianças que se educam pela Pedagogia Waldorf aprendem a valorizar as relações humanas, cultivam o respeito ao próximo e a natureza.
 

Metodologia:
     Para a elaboração deste trabalho foi utilizada a análise de conteúdo através de pesquisas literárias e entrevistas realizadas através de contatos telefônicos.
 

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1. Breve Biografia de Rudolf Steiner

     Aos vinte e sete dias do mês de fevereiro, do ano de mil oitocentos e sessenta e um, nasce em Kraljevec, Áutria/Hungria, Rudolf Steiner. Primeiro filho do ferroviário Joham, viveu nesta cidade até um ano e mio de idade.
     Até os oito anos de idade, Steiner morou em Pottschach, Áustria. Uma cidade de natureza abundante. A família, de condições modestas, com mais um casal de filhos, morava no edifício da estação de trens, de onde Steiner convivia com a natureza e a tecnologia da época.
     Seu pai, por força da profissão, foi transferido, novamente, para uma aldeia de Neudörfl, nos Alpes. Local também de natureza farta, acolheu o menino Steiner dando-lhe condições de desfrutá-la. Nesta mesma cidade Steiner passou a freqüentar a escola, já que até esta idade seu pai se encarregou pessoalmente de sua educação devido uma briga com o professor.
     Aos nove anos, quando entrou em contato com a geometria, Steiner ficou tão encantado, que dizia ter encontrado a felicidade pela primeira vez em sua vida.
     Uma pequena observação se faz ao menino Steiner, que aos oito anos de idade teve despertada a sua paranormalidade, mas a manteve em segredo devido aos preconceitos da época. Para integrar o seu dom, mantendo a lucidez, julgou ser necessário ter uma visão concreta da realidade e para isso entregou-se aos estudos da matemática, ciências naturais e filosofia.
     A partir do décimo ano de vida, passou a freqüentar o Liceu em uma cidade próxima a de sua moradia chamada Wiener-Neustadt. No seu mundo matemático, em pouco tempo dominou sozinho cálculo integral, e por ser autodidata adquiriu outros conhecimentos na área da matemática como estatística e geometria descritiva, esta última a sua grande paixão. Reconhecido pelo Liceu por seus feitos como estudante, recebeu uma nota que jamais havia sido dada pela instituição.
     Aproximadamente aos quatorze anos, lendo uma obra filosófica de Kant (A Crítica da Razão Pura), estudou profundamente a filosofia kantiana, sem deixar seus estudos pela matemática e ciências naturais.
     Gradua-se no Liceu com nota exemplar, aos dezoito anos e matricula-se na Escola Politécnica de Viena, aconselhado por seu pai. Entre o término no Liceu e o começo na Escola Politécnica, Steiner prosseguiu seus estudos sobre filosofia completando sua leitura sobre Kant e partindo para Fichte, Hegel e Schelling, com esses estudos queria ligar o domínio supranatural à natureza, mantendo ainda em segredo seu dom paranormal.
     Já com uma boa base em seus estudos, o seu objetivo era se contrapor ao mundo materialista e as idéias científicas do meio do século XIX, e para este combate deveria ter um conhecimento profundo sobre esses assuntos para ser então, digno de expor o que era capaz de compreender.
     Entre 1890/97, trabalhou como colaborador do Arquivo Schiller-Goethe com a edição dos escritos goethianos. Deste ponto foi dada a partida para seu vôo solo sendo autor e editor do prólogo da primeira edição das Obras Científicas Completas de Goethe, sendo também dessa época a sua obra fundamental: A Filosofia da Liberdade (1894).
     Após alguns anos em Berlim, dedicou-se a atividade de conferencista e escritor com a finalidade de divulgar os resultados de sua pesquisa científico-espiritual, fazendo-as na Sociedade Teosófica e mais tarde na Sociedade Antroposófica (1913), esta última fundada por ele tendo como colaboradora Marie von Sievers, com quem se casaria em 1914, passando a se chamar Marie Steiner.
     Em 1919, Steiner foi convidado por Emil Moet, proprietário da Fábrica de Cigarros Waldorf-Astória, para uma série de palestras para os trabalhadores de sua fábrica. Com uma boa receptividade do trabalho, os trabalhadores solicitaram a Steiner que fundasse e dirigisse uma escola para seus filhos já com o apoio e financiamento de Emil Moet.
     Steiner concordou com a idéia dos trabalhadores, colocando como condições que a escola seria aberta para todas as crianças, que tivesse um currículo unificado de doze anos e que os professores também compactuassem de seu ideal.
     Fechado o acordo entre Emil Moet e Rudolf Steiner, aos sete dias do mês de setembro de mil novecentos e dezenove, foi aberta a Primeira Escola Waldorf - Die Freie Waldorfschule (A Escola Waldorf Livre), em Stuttgard, Alemanha, onde existe até os dias de hoje.
     Em trinta de março de mil novecentos e vinte e cinco, falece aos sessenta e quatro anos, em Dornach, Suíça, deixando extraordinárias contribuições em diversos campos da arte, medicina, farmacologia, agricultura, vida social, pedagogia (Waldorf e Curativa), arquitetura e teologia, dentre outros feitos.
 

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2. Pensamento Científico de Goethe

     Johann Wolfgang Goethe (1749-1832), tem uma obra literária de valor, tais como: O Sofrimento do Jovem Wether e Fausto, esta última que o consagrou como um dos maiores poetas e dramaturgos de todos os tempos.
     Além de ser romancista e poeta, Goethe também foi um grande cientista e atuou em vários campos como a geologia, mineralogia, botânica e zoologia. Goethe via a natureza orgânica viva como uma totalidade e que estava diretamente ligada ao mundo espiritual não sendo apenas julgada como matéria em movimento. Seus estudos têm dois conceitos básicos: arquétipo e metamorfose. Os arquétipos são universais e ligados à natureza e a metamorfose desses princípios espirituais é que produzem as várias formas individuais encontradas no mundo. Ele utiliza esses conceitos como base para estabelecer a relação entre crânio e vértebras (o crânio como um desenvolvimento das vértebras):


     O cérebro representa somente uma massa da medula espinhal aperfeiçoada ao máximo grau. Na medula terminam e começam os nervos que estão a serviço das funções orgânicas, ao passo que no cérebro terminam e começam os nervos que servem às funções superiores, principalmente os nervos dos sentidos. No cérebro surge aquilo que está indicado como possibilidade de medula espinhal. O cérebro é uma medula perfeitamente desenvolvida, ao passo que a medula espinhal é um cérebro que ainda não chegou ao pleno desenvolvimento. Ora, as vértebras da coluna contornam como um molde as várias partes da medula, servindo-lhe como órgãos envoltórios. Parece então, altamente provável que, se o cérebro é uma medula espinhal elevada ao máximo grau, também os ossos que o envolvem sejam vértebras altamente desenvolvidas (GOETHE).

     De acordo com Flávio Ernesto Melanese, com estágio em Ciências Goetheanística no Goetheaunum de Dornach, Suíça, as vértebras da coluna seriam a idéia arquétipica:

     De vértebra em vértebra, no sentido ascendente, esse mesmo princípio vai-se metamorfoseando, sendo representado por formas ósseas cada vez mais sutis. Até chegar ao crânio, que seria a última metamorfose da idéia vértebra. (MELANESE)

     Na área da botânica, estudando aos vegetais, dentro dos conceitos básicos de arquétipo e metamorfose, Goethe concebeu a Urpflanze, "planta arquetípica", não encontrada no mundo físico que se manifesta em cada planta individual, ou seja, em cada fase do desenvolvimento estão contidas outras.
     O pensamento científico de Goethe é muito complexo e requer um estudo mais aprofundado para que se possa expor sua idéia com verdade.
 

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3. Antroposofia

     A Antroposofia é uma das opções de conhecimento capaz de dar respostas comprobatórias no campo do relacionamento do homem com o seu mundo. Vê o homem como centro de seu estudo e busca respostas às suas necessidade com base científica, cultural, artística e religiosa para se viver na prática.
     Antroposofia, que em grego quer dizer "conhecimento do ser humano", nasceu sob a influência da Teosofia e que tem como característica o conhecimento do homem, da natureza e do universo que o cerca, com base científica.


     A Antroposofia é um caminho de conhecimento que deseja levar o espiritual da entidade humana para o espiritual do universo. Ela aparece no ser humano como uma necessidade do coração e do sentimento. Ela deve encontrar sua justificativa no fato de poder proporcionar a satisfação dessa necessidade. A Antroposofia só pode ser reconhecida por aqueles que nela encontram aquilo que buscam a partir da sua sensibilidade. Portanto, somente podem ser Antropósofos pessoas que sentem como uma necessidade de aceitar perguntas sobre a essência humana e do universo, assim como se sente fome e sede (STEINER, 1924).

     A Pedagogia Waldorf, baseada na Antroposofia, sofre várias críticas por parte de quem se quer leu sobre a vida e obra de Rudolf Steiner, rotulando-a como seita, culto, movimento místico etc. Steiner afirmou que a Antroposofia era adequada para sua época e que deveria acompanhar o dinamismo da evolução humana, se adequando sem perder o seu princípio.
     A Antroposofia está nas mais variadas áreas como: medicina, administração de empresas, agricultura, farmácia, dentre outras, renovando às áreas da atividade humana.
 

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4. Princípios da Pedagogia Waldorf

     A base da Pedagogia Waldorf é conceber ao homem a harmonia físico-anímico-espiritual na prática educativa, partindo da visão antropológica, fazendo com que esta educação responda às necessidades atuais e futuras do homem.
     O ser humano deve buscar a resposta que seu interior é capaz de realizar, pois todos nascemos com predisposições e capacidades que ao longo do tempo se desenvolverão.
     Seus princípios são pautados na Trimembração do Organismo Social, que partiu da revalorização dos impulsos da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, onde se tem liberdade (no pensar) com responsabilidade, igualdade (jurídico-legal) de deveres e direitos e fraternidade como respeito mútuo regendo as instituições com base na Pedagogia Waldorf.
     No início do século passado, Rudolf Steiner retomou a idéia que havia na antiga cultura grega, onde se dividia a vida humana em dez períodos de sete anos, ou setênios e as fundamentou para o ensino aplicado à Pedagogia Waldorf.
     Do período entre a infância e adolescência dá-se importância aos três primeiros setênios, nas faixas de 0 a 7 anos, de 07 a 14 anos e de 14 a 21 anos (as idades são aproximadas devido a fatores que antecipam alguns acontecimentos), período em que a criança e o jovem recebem educação na escola.
 

· Os Setênios:
   De 0 a 07 anos (maturidade escolar)
      - A criança está aberta ao mundo;
      - Tem confiança ilimitada;
      - Recebe impressões sensoriais;
      - Não elabora julgamento ou análise;
      - Está na fase do desenvolvimento motor;
      - As percepções inadequadas são armazenadas no inconsciente (não compreende o pensamento dos adultos);
      - Aprendizado por imitação;
      - O educador Waldorf deve ser digno de ser imitado, pois nessa imitação inconsciente estará fundamentando sua moralidade futura.
   Característica: O bom.

De 07 a 14 anos (maturidade sexual)
      - Desenvolvimento anímico;
      - Emancipação da vida corporal;
      - Interage e reage aos estímulos que recebe;
      - Necessita de explicações conceituais;
      - Interesse pela admiração que as coisas causam;
      - Vivência na área dos sentimentos (sai sentido entra sentimento);
      - Puberdade (12/14 anos) perturba a harmonia anímica;
      - O professor Waldorf deve saber o que é bom ou não para seu aluno e entusiasmá-lo, deve ter "autoridade amorosa";
   Característica: O belo.

De 14 a 21 anos (maturidade social)
      - Liberdade das forças anímicas;
      - Desenvolvimento do lógico, analítico e sintético;
      - Separa-se do mundo (vê o mundo de fora);
      - Quer explicações conceituais e intelectuais;
      - Quer ser compreendido;
      - O professor Waldorf deve ser digno de respeito.
   Característica: O verdadeiro.


     As características do processo evolutivo da aprendizagem e transmissão do conhecimento requerem um grande conhecimento por parte do professor Waldorf, e a ação pedagógica deve ser o agente facilitador deste processo, pois quando as respostas às expectativas dos estudantes são atendidas a aprendizagem tem caráter significativo.
     O estudante deve ter um acompanhamento do seu desenvolvimento integralmente, pois passa da infância à adolescência na escola. É a educação transcendendo a transmissão de conhecimento e cultivando devagar e com carinho o intelecto e a sensibilidade humana.
     A Pedagogia Waldorf trabalha a formação do indivíduo, é o chegar, fazer e ser. Ter mais sabedoria do que conhecimento e o professor deve atar tudo isso com um laço de amor partilhado.
 

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   4.1 Pedagogia Waldorf no Brasil

     Em 27 de fevereiro de 1956, na cidade de São Paulo, é fundada a primeira Escola Waldorf no Brasil, integrada à realidade brasileira e mantendo os fundamentos de seu idealizador. Os fundadores, um pequeno grupo de amigos, Schimidt, Mahle, Berkhout e Bromberg, convidaram o casal Karl e Ida Ulrich da Escola Waldorf de Pforzheim, Alemanha para fundar a escola, lecionar e preparar os professores para que lecionassem a Pedagogia Waldorf.
     A escola começou com um pequeno grupo de 28 alunos de Jardim da Infância e antigo Primário. Após ser reconhecida como escola experimental, completaram as primeiras quatro séries iniciais. Em conseqüência da realização de um bom trabalho, em 1979 o Ensino Fundamental foi autorizado a funcionar com a duração de nove anos, e na seqüência, o Ensino Médio.
     Com um número crescente de estabelecimentos de ensino Waldorf, em abril de 1998 foi fundada a Federação das Escolas Waldorf no Brasil. Que tem como um dos objetivos, consolidar a Pedagogia Waldorf na sociedade brasileira.
     Atualmente existem quase 30 Escolas Waldorf funcionando no Brasil e a primeira da rede pública de ensino, na cidade de Nova Friburgo, Estado do Rio de Janeiro.
     As dificuldades de se estabelecer, dentro da lei, uma escola Waldorf é bem descrita pela Sra. Shigueyo Miyazaki Mizogushi, da Federação das Escolas Waldorf no Brasil. Com sede em São Paulo, Capital:

     Após a promulgação da Constituição Brasileira, em 1988, grupos de educadores e entidades ligadas à educação, começaram a organizar um projeto de lei que viesse substituir a LDB vigente na época. Este projeto que vinha sendo formulado sobre uma nova concepção de democracia participativa, já tendo sido aprovado na Câmara dos Deputados, foi substituído, no Senado pelo projeto Darcy Ribeiro, em março de 1996. Tudo indica que o projeto, após algumas modificações convertido na nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, teve assessoria de pessoas que ocuparam ou ocupam cargos no Ministério da Educação.
     Esta nova LDB, chamada por alguns autores de "minimalista", por conter poucas Regulamentações, dá ampla liberdade às escolas apresentarem suas propostas pedagógicas, além de ter incorporado alguns conceitos inovadores para a maioria das escolas como a questão da progressão continuada do aluno, o respeito pela relação idade/série, aspectos importantes à Pedagogia Waldorf (MIZOGUSHI, 2002).

     Embora reconhecida como entidade pública federal e estadual, as Escolas Waldorf não recebem auxílio governamental, possuindo uma entidade mantenedora que recebe doações e mensalidades dos alunos para cobrir custos, mas isso não impede que qualquer cidadão brasileiro que compactua com os princípios Waldorf, funde sua escola com fins lucrativos.
 

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5. A Escola Waldorf

     O currículo da Pedagogia Waldorf, de acordo com a Antroposofia, tem como base as fases do desenvolvimento da criança, e cabe a escola prover estas necessidades independentemente da imposição de governos ou forças econômicas, também deve incentivar a criatividade para se ter uma criança com pensamento livre que se tornará um jovem com maturidade social.
 

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   5.1 Jardim da Infância

     Seguindo os princípios dos Setênios, o foco está no brincar imitativo e na imaginação para que se desenvolva o pensamento crítico, preparando-as para o segmento escolar. A criança é tratada com individualidade sendo respeitado o desenvolvimento de seu talento e capacidade. Os professores trabalham com o intuito de criar na escola um ambiente harmônico incentivando a criatividade, e para que isso ocorra, as atividades propostas são: cuidar do jardim, criar brinquedos, fazer pão para a merenda, brincadeiras livres com materiais naturais, tais como: lã, tecidos diversos, pedras, conchas e etc.
 

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   5.2 Ensino Fundamental

     Além de possuir o mesmo currículo de outras escolas, mas voltado para os objetivos da educação Waldorf, o jovem é preparado para o exercício da cidadania plena e cultivado nele o espírito científico investigativo, dando significado a aprendizagem.
     As atividades que complementam o currículo são: música, trabalhos manuais, marcenaria, atividades artísticas, euritmia, astronomia, filosofia, geometria, jardinagem, inglês e alemão.
     As matérias são revistas várias vezes, dando uma nova e mais profunda visão do conteúdo para que se respeite o desenvolvimento da criança.
 

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   5.3 Ensino Médio

     A preocupação é com uma formação abrangente e integrada as solicitações do mundo atual com um pensamento objetivo e crítico.
     Os alunos do Ensino Médio das Escolas Waldorf têm conseguido êxito em vestibulares, provando que o conteúdo curricular atende as necessidades dos alunos na busca da graduação.
     Nas Escolas Waldorf não há repetições de ano e nem atribuição de notas, a avaliação é feita em uma espécie de relatório com observações do desenvolvimento do aluno.
     Nos oito primeiros anos, cada classe tem um professor responsável para acompanhar o desenvolvimento da criança, e do nono ao décimo-segundo ano, o acompanhamento dos jovens é feito por tutores e os vários professores das demais disciplinas.
     No décimo-segundo ano, quando finalizam seus estudos nas Escolas Waldorf, os jovens apresentam um trabalho de pesquisa com um tema de sua preferência, como em uma monografia.
 

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Conclusão

     A conclusão que cheguei ao término deste trabalho tendo como base a filosofia geral:
     O avanço científico veio como salvação e perdição para a humanidade. Salvação porque "libertou" o homem na Idade Média, e perdição porque a relação do homem com a ciência inverteu-se, ou seja, a ciência se agigantou, transformando-se em poder político e econômico sobre o homem.
     Ciência, tecnologia, homem e natureza devem ter uma relação harmônica, deve-se esgotar o excesso de racionalidade e partir para o humanismo, reinventando a "lógica humana".
     Como o desenvolvimento humano se dá na escola, e o modelo vigente institucionalizou o aluno com o Estado regulando as diferenças existentes, precisamos de uma educação, na concepção da palavra, que quer dizer condução, como vou conduzir, que devolva a subjetividade ao homem, que lhe dê conhecimento, pois só o conhecimento irá libertar e emancipá-lo, devolvendo-o ao seu meio.
     Os recursos na área pedagógica são meios e não fim e estes meios devem cumprir e dar condições de viabilizar, e a Pedagogia Waldorf pode devolver ao homem (principalmente para as crianças das classes menos favorecidas) sua condição de ser humano e se reinventar no planeta.
 

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Referências

Escola Waldorf Francisco de Assis. Disponível em: <http://www.escolafranciscodeassis.com.br>.

Escola Waldorf Rudolf Steiner. Disponível em: <http://www.rudolfsteiner.com.br>.

LANZ, Rudolf. Noções Básicas de Antroposofia. São Paulo: Antroposófica, 2002.

________. A Pedagogia Waldorf. São Paulo: Antroposófica, 2000.

LIEVEGOED, Bernard. Desvendando o Crescimento. São Paulo: Antroposófica, 2001.

MIZOGUCHI, Shigueyo Miyazaki. Federação da Escolas Waldorf no Brasil. Disponível em: <http://www.sab.org.br>. Acesso em: jul. 2002.

SETZER, Sonia. Revista Arte Médica Ampliada. Ano 19, n. 3, p. 4-11, 1999.

SETZER, Waldemar. Uma Introdução Antroposófica à Constituição Humana. Disponível em: <http://www.ime.usp.br/~vwsetzer>.

STEINER, Rudolf. A Arte da Educação III. São Paulo: Antroposófica, 2000.

________. Filosofia da Liberdade. São Paulo: Antroposófica, 1995.



(*) Teresa Cristina de Oliveira Emanuel.
Estudante do Curso de Pedagogia, habilitação em Gestão Escolar, da Universidade Veiga de Almeida.



Para referência desta página:
EMANUEL, Teresa Cristina de Oliveira. A Pedagogia Waldorf. In.: BELLO, José Luiz de Paiva. Pedagogia em Foco. Rio de Janeiro, 2002. Disponível em: <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/per14.htm>. Acesso em: dia mes ano.