PÁGINA DO SOL E DA LUA 

| Sou elurófilo. E agora? Li no dicionário do Aurélio que elurofilia é ter uma afinidade patológica por gatos. Mesmo sofrendo desta patologia eu me recuso ao tratamento. Mesmo porque eu duvido daquele que tenha um gato em casa, não sofra da mesma patologia que eu.
Ter um gato em casa é uma emoção à parte. Para falar a verdade eu não queria ter um gato. Bicho nenhum. Mas um belo dia eu estava chegando à Universidade Veiga de Almeida, campus Barra, para dar minha aula, e a Soraya, uma estudante e estagiária implorava a todos: "Fica com essa gatinha. A mãe dela morreu e ela vai morrer também." Eu assistia a tudo de longe sem querer me envolver demais. Fui para minha aula e esqueci a Soraya e seus apelos. |
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Quando terminei minha aula e me dirigia para meu carro para ir embora lá estava ela ainda: "Por favor leva essa gatinha..." Fiquei com pena e disse para ela: "Quer saber de uma coisa? Passa essa gatinha pra cá!" Ia dar carona para uma estudante que estava na minha turma, a Maria Claudia, e perguntei se ela poderia me ajudar a levar a gatinha pra casa. Pronto! Eu, que não queria bicho, estava levando pra casa uma gatinha cinza tigrada. A Claudia sugeriu para ela o nome de Brigite. Não gostei muito.
Falei pra todo mundo da família que estava com uma gatinha em casa. Quando a Luana, uma criança adorável, foi lá em casa conhecer a gatinha eu pensei em chamar a gatinha de Luana. Ela logo protestou e disse: "Luana não! Por que você não chama de Lua?" Então o nome da gatinha ficou sendo Lua. |
Lua no colo da Luana, que escolheu o nome. |
Lua ganhando um carinho da Luli, minha filha, que também tem duas gatinhas muito parecidas com ela. |
Eu não entendia nada de gatos, então comecei a telefonar pra minhas filhas que já tinham duas gatas, cada uma. E tome de comprar ração, areia, tabuleiro para areia, comedouro, caminha, brinquedinho etc etc etc. Outra coisa que fiz foi telar todas as janelas da casa. Soube de notícias de gatos que caem das janelas, por isso pus tela protetora em todas as janelas onde ela poderia passar. Foi um encantamento imediato. Lua era alegre, corria de um lado para o outro atrás dos brinquedos e começou a dormir ao meu lado. Passou a ser minha sombra quando estava em casa. Onde eu ia ela ia atrás. Quando sentava para trabalhar no computador ela dormia em cima da mesa, entre o teclado e o monitor. Quando chegava em casa ela me fazia a maior festa. |
Sol no dia em que chegou em casa. |
Como trabalho o dia inteiro, das sete horas da manhã à meia-noite, comecei a ficar preocupado com a Lua, por ficar o esse tempo todo em casa sozinha. Então comecei a pensar na possibilidade de conseguir um companheiro para ela. Queria uma gatinha igual a ela: cinza tigrada. Perguntava a todos se não conheciam alguém que tivesse uma gatinha assim. Uma bela noite estava na Universidade Católica de Petrópolis e uma colega chegou esbaforida: "Professor Bello! Abandonaram quatro gatinhos no pátio da universidade!". Fui lá ver e já tinham levado três. O que sobrou era um macho marrom tigrado. Amor à primeira vista! Com o coração aos pulos eu disse: "É meu!" Imediatamente conseguimos comida para ele e na hora surgiu o nome: Sol, para combinar com a Lua. Portanto, Lua é carioca e Sol é petropolitano. Lua nasceu no dia 28 de janeiro de 2001. Sol nasceu no dia 1 de setembro de 2002. |
Sol no dia em que chegou em casa. |
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Com ajuda da Secretária Márcia, providenciou-se uma caixa de papelão, um paninho e um pouquinho de comida para o transporte no carro para o Rio de Janeiro. Chegando em casa, morrendo de medo da Lua ter uma reação agressiva com o Sol, já que ele era muito pequeno em relação a ela, tranquei o Sol no banheiro e deixei o resto da casa para a Lua. Ela, quando percebeu que tinha outro gatinho no banheiro, começou a bufar por debaixo da porta. No dia seguinte fui dar minha aula, deixando o Sol preso no banheiro, e, terminada a aula, corri para o telefone para ligar para a Clínica Gatos e Gatos, que fica a quilômetros da minha casa, mas soube que é a melhor do Brasil, especialista em gatos. Atendeu a dra. Raquel que me tranqüilizou dizendo que não era comum um gato matar outro, mesmo com a diferença de tamanho. Só me sugeriu que a adaptação fosse feita aos poucos; que eu não deixasse os dois juntos quando eu não estivesse em casa. E assim foi feito. Engraçado era que quando eu deixava os dois juntos a Lua bufava para o Sol, mas ele corria atrás dela como se a ameaça não valesse de nada. Desta forma, em mais ou menos uma semana, os dois estavam adaptados. |
Sol ganhando uns carinhos da Lua. |
| Quando subi para minhas aulas em Petrópolis, parei no Ricardo, marido da Fátima, professora municipal e estudante da UCP, que tem uma loja de suprimentos para animais, para comprar comedouro, bandeja, areia, comida para gato bebê, outros brinquedos etc etc etc, para o Sol.
Hoje os dois estão adaptados, mas fui obrigado a fazer uma coisa que estava relutando em fazer: castrar a Lua e depois o Sol. Apesar de todos me dizerem que eu teria que fazer isso, já que era melhor para os bichinhos, sempre achei que era uma agressão a dois bichinhos tão maravilhosos. Mas acho que eles ficarão mais tranqüilos assim. |
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| Lua não subia nesta escada até que o Sol ensinou para ela. |
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Os dois dormem comigo: o Sol dorme enroscado nas minhas pernas e a Lua na altura da minha barriga e dorme enquanto faço festinha na sua barriga até que eu durma também. Durante todo o dia, quando não estão dormindo pelos cantos da casa, eles correm, um atrás do outro, como se estivessem brincando. Sobem em cima de todos os móveis. Por causa deles a casa teve que ser adaptada. Nada em cima dos móveis para que eles possam derrubar. Parece que eles têm prazer em derrubar tudo que encontram em cima das estantes e das mesas. Alguém já disse que quem tem um gato em casa não precisa de estátuas. A poltrona da sala foi destruída por suas garras. Com isso tive que trocar o forro da poltrona por um tecido mais grosso, à prova de garras de gatos. Para evitar reincidência comprei um arranhador para gatos. |
Sol curtindo o seu sono, enquanto eu trabalho. |
| O arranhador para gatos resolveu o problema das poltronas, mas não resolveu o meu problema de estar sempre arranhado pelo Sol. Ele ainda é muito pequeno e mais estabanado, pula em cima de mim me arranhando todo. Minha barriga e minhas pernas vivem arranhadas por ele. A Lua nunca me arranhou e nunca me mordeu. Aliás só mordeu uma vez quando foi tomar a primeira vacina com a dra. Claudia, na Clínica Gatos e Gatos. Eu a segurei no colo e quando recebeu a picada da agulha me deu uma mordida na mão. Foi a única. O Sol quando tomou a sua vacina, com a dra. Kátia, deu apenas um miado forte, mas não me mordeu. | ![]() |
| Lua em close. |
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A Lua, por já ter dois anos, é mais tranqüila que o Sol. O Sol, talvez por ter só quatro meses, é mais brincalhão e, às vezes, acho que ele irrita a Lua. Mas os dois só expressam alegria. Quando está na hora de colocar a comida deles os dois ficam me encarando com um olhar maravilhoso, como se dissessem: "E aí? Não vai botar a comida?".
Os dois parecem leões em miniatura. Leonardo da Vinci disse que "o menor dos felinos é uma obra-prima". O jeito que eles saltam de um lugar para outro, o jeito que eles se espreguiçam, a maneira que eles dormem, o trato que eles dão ao seu pêlo, a maneira que eles limpam os olhos, a maneira que correm, a coordenação motora refinada, tudo neles é especial. O gato é um bicho limpo. Suas necessidades fisiológicas são feitas sempre no tabuleiro com areia especial e eles ainda enterram o que fazem. |
| Sol e Lua na janela, onde adoram ficar. |
| Todo gato é um animal lindo. Se observarmos os detalhes dos gatos parece que foi desenhado por um artista. Lua tem os olhos verdes; Sol tem os olhos amarelos. Lua é cinza e tem riscos pretos no pêlo; Sol é marrom claro e tem riscos marrons escuros nos pêlos. Lua tem a ponta do seu nariz vermelho cercado por uma franja preta; Sol tem a ponta do nariz rosado. Lua tem a planta da pata preta; Sol tem a planta da pata rosada. A barriga da Lua é amarelada; Sol tem a barriga da cor do pêlo. Lua tem uma cauda peluda preta que parece uma raposa; Sol tem uma cauda com listas marrom claro e marrom escuro e pouco pêlo. Suas orelhas parecem que acompanham todo barulho e os dois têm uns bigodes enormes. |
Lua e Sol descansam das brincadeiras. |
| "Todo gato é um gato, mas cada gato é um gato" | Outra característica especial dos gatos é que eles são extremamente pontuais. Como acordo todos os dias na mesma hora para trabalhar, praticamente não preciso de relógio despertador: eles se incubem de pontualmente me acordar. O mesmo acontece com a hora da comida. Não sei como eles percebem, mas sempre que chego em casa eles estão me esperando atrás da porta.
Em contato com outros gatos - de minhas filhas, de minha prima e de minhas amigas, percebo também que todo gato tem uma personalidade própria. Cada gato tem um estilo diferente. Alguns são mais brincalhões que os outros, alguns são mais agressivos, alguns ronronam mais alto quando recebem festinhas, alguns gostam mais de festinhas, alguns trazem na boca os brinquedinhos que jogamos para eles, alguns são mais sociáveis com os estranhos, alguns atendem pelo nome quando chamamos, mas cada gato é um gato. Eu acho que só quem tem gato pode perceber isso. |
| Por favor não me internem para tratamento. Admito minha patologia, minha neurose, mas estou feliz assim. Podem dizer a todos que sou um elurófilo: um elurófilo feliz.
Pela companhia, pela amizade, pelo carinho, jamais quero deixar de ter um gato em casa. Mesmo achando que um gato é um bicho perigoso para pessoas idosas, já que eles passam por debaixo de nossos pés quando estamos andando e isso pode provocar um tombo nosso, quero ficar velhinho na companhia de um gatinho. Seria ótimo que eles vivessem mais dos que os quinze anos, aproximadamente, que vivem. Esta página é minha homenagem à Lua e ao Sol por serem o que são e por me fazer feliz. Querem ser felizes também? Tenham um gato. Acho que gato é um bicho especial para pessoas especiais. Obrigado irmã Lua; obrigado irmão Sol. Vocês são demais; seres especiais, maravilhosos. E lindos! |
Lua no colo da Crica, minha filha. |
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Um CACHORRO pensaria assim: "Meu dono cuida de mim, me alimenta, me escova, me leva para passear, me leva ao veterinário, me afaga, me agrada, me ama... ELE é um deus!"
Um GATO pensaria assim: "Meu dono cuida de mim, me alimenta, me escova, me leva ao veterinário, me afaga, me agrada, me ama... EU sou um deus!" |
Lua e Marluce, minha amiga. |
Sol e Nanda, minha irmã. |
Lua e Luana, minha adorada. |
As amigas 
de Sol e Lua
Esta é a Clair. A gatinha da Luli. |
Estas são a Noir (na frente) e a Clair. As gatinhas da Luli. |
Esta é a Kika, gatinha do Marcelo que a Marluce foi buscar na D. Telma. |
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Esta é a Minnie, a gatinha da Crica, e a sua prole. A pequenininha, que é a que está no meio dos filhotes que estão mamando, ficou com eles e o seu nome ficou sendo Pequenininha, ou Nininha. |
Agora a Minnie e a Nininha depois de algum tempo... |
Esse é o Acerola, novo gato da Crica. |
Esta é a Peka, gatinha da Biá, filha da prof. Natércia, da UCP. Bem... Neta de acadêmica vocês queriam o que? Uma gatinha acadêmica... |
Zé Inácio é o gato do professor Isnard Manso, dormindo com os netinhos. |
Mais Zé Inácio. |
Ainda Zé Inácio sem vergonha de ser feliz. |
Rua Goethe, 6 - Botafogo
Rio de Janeiro - CEP: 22281-02
Telefones: (0xx21) 2579-3934 e 2535-0941
Email: clinicavet@gatosegatos.com.br
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