- Aí, é o seguinte: tô a fim de encarar um rango. De prima vamo dá uma geral no Baixo que vai rolar um rango manero.
- Falô, meu camaradinha.
- Antes, comê um sanduba natureba.
- Aí, tô de cara com a mina daquele maninho.
- Fala sério, malandro. O mano é sinistro. Muito irado mermo. Alôo!
- Mas essa não é com ele, bicho. É com a grinfa. A gata é que sabe.
- Caraca, cara! Dessa parada tô fora. É fria.
- Qualé, bró? Tá se arregando?
- Num tô nessa, cara. O bacana só chega com cráudi.
- Tá na dele. Dá um tempo pro chará.
- Aí, vamo sartá fora.
- Falô amizade. Vamo pro rango e depois vamo descolá uma tela.
- Aí, bró. Num tô a fim de pegá uma tela hoje não.
- Pô cara, aí, ontem vi um filme manero.
- Diz aí qualé amizadinha.
- "Como água pra chocolate". Fiquei de cara, aí.
- Ih. Maneríssimo. Muito rango.
- Pô, mas num saquei qualé. Sacô?
- Saquei cara. Mas num é prá sacá não, bicho. É prá curti. sacô?
- Falô, bró. Breguéti de papo cabeça.
E então fez-se um silêncio mortal só interrompido pelo barulho das bocas comendo o "sanduba natureba duca". As "gatas" não caíram no "papo manero". E a noite terminou, cada qual para o seu lado, com um "vô vasá, té mais vê, bró. Valeu!".