Papo Cabeça

Leonídio Leão


     - E aí meu, vamo dá um rolé pra descolar umas mina?

     - Aí, é o seguinte: tô a fim de encarar um rango. De prima vamo dá uma geral no Baixo que vai rolar um rango manero.

     - Falô, meu camaradinha.

     - Antes, comê um sanduba natureba.

     - Aí, tô de cara com a mina daquele maninho.

     - Fala sério, malandro. O mano é sinistro. Muito irado mermo. Alôo!

     - Mas essa não é com ele, bicho. É com a grinfa. A gata é que sabe.

     - Caraca, cara! Dessa parada tô fora. É fria.

     - Qualé, bró? Tá se arregando?

     - Num tô nessa, cara. O bacana só chega com cráudi.

     - Tá na dele. Dá um tempo pro chará.

     - Aí, vamo sartá fora.

     - Falô amizade. Vamo pro rango e depois vamo descolá uma tela.

     - Aí, bró. Num tô a fim de pegá uma tela hoje não.

     - Pô cara, aí, ontem vi um filme manero.

     - Diz aí qualé amizadinha.

     - "Como água pra chocolate". Fiquei de cara, aí.

     - Ih. Maneríssimo. Muito rango.

     - Pô, mas num saquei qualé. Sacô?

     - Saquei cara. Mas num é prá sacá não, bicho. É prá curti. sacô?

     - Falô, bró. Breguéti de papo cabeça.

     E então fez-se um silêncio mortal só interrompido pelo barulho das bocas comendo o "sanduba natureba duca". As "gatas" não caíram no "papo manero". E a noite terminou, cada qual para o seu lado, com um "vô vasá, té mais vê, bró. Valeu!".